Fantástico Sr. Raposo (2009)
Fantastic Mr. Fox
Wes Anderson · 2009
Review exclusiva do site, publicada em Janeiro de 2026
“Fantástico Sr. Raposo” é um stop motion do diretor Wes Anderson, o que não seria difícil constatar pelo uso da sua marca registada do uso das cores e ângulos de câmara. Wes Anderson sofre inúmeras críticas a esse respeito, pois muitos pensam que é uma fórmula repetida, mas “Fantástico Sr. Raposo” ultrapassa esse estigma; este filme é um paradoxo.
Apesar de nos ser apresentada uma técnica, muito usual em animações e stop motion, de aprofundar um tema adulto neste género cinematográfico, de forma a amenizar o assunto, transmitir melhor a mensagem e, sobretudo, para que o público jovem possa assistir, este filme ultrapassa a mecânica de demonstrar sistemas económicos falhos e uma sociedade oprimida, como “Vida de Inseto”, “Wall-E”, entre outros. “Fantástico Sr. Raposo” aborda principalmente a crise de uma vida adulta e os seus efeitos.
Um dos primeiros pontos trabalhados neste filme é a dificuldade económica vivida por muitos e a opressão por grandes produtores. No entanto, em vez de serem raposas exploradas por outras, são humanos, visto que estas são apenas “animais selvagens”, mas que assumem as mesmas características do Homem. A evolução das casas destes animais é um ponto muito interessante que reflete este aspeto: o Sr. Raposo quer sair “do buraco” porque o faz sentir pobre, mas na realidade ele é-o, e muito pouco pode fazer para alterar essa realidade. A angústia do protagonista, causada pela vida que tem, faz com que se torne inconsequente, levantando as emoções mais reais que um animal ou uma pessoa pode sentir: a arrogância e o desespero, levando-o a tomar decisões egocêntricas e irrefletidas, face àqueles que ama que, neste caso, se assume como roubar as quintas dos humanos. No fundo, o Sr. Raposo quer sentir-se outra pessoa(quer ser diferente), em oposição ao próprio filho.
Outro ponto importante deste filme é retratar os problemas do filho do casal principal: os sentimentos de viver atrás de uma sombra, seja do pai ou do primo, e ser constantemente posto de parte por ser “diferente”. Dar palco ao filho do casal é relembrar a importância de ser diferente, mas também o quão mau é sentir-se assim, fazendo, mais uma vez, com que a audiência se relacione e goste da longa-metragem.
Em suma, este filme, que conta apenas uma história sobre animais ditos selvagens, coloca-os em oposição ao ser humano, sendo apenas uma representação da maioria das vidas humanas. O Sr. Raposo é a personificação de alguém em crise, arrogante e um pouco egocêntrico, que se quer redimir face a um ato tão inconsequente perante aqueles que o prejudicavam. Mesmo sendo um ato importante, perde o significado quando este não é aplicado à sua sociedade e sim para benefício próprio. Esta é a natureza humana. No fundo, pai e filho são as duas faces de uma moeda: o que se quer sentir diferente após uma vida marcada pela insignificância e o que não quer ser visto como diferente para poder ser acolhido pelos outros. Este é um filme sobre animais para as pessoas.