A Princesa Mononoke
Mononoke-hime (もののけ姫)
Hayao Miyazaki · 1997
Crítica de Carolina Góis
Review exclusiva do site, publicada em Junho de 2026
Hoje venho apresentar um filme de animação que envelhece com o espectador: “A Princesa Mononoke”. Lançado em 1997 por Hayao Miyazaki, com uma animação de “tirar o fôlego”, é uma das obras mais conhecidas do Studio Ghibli. Como a grande maioria das criações deste estúdio, esta longa-metragem de 2 horas tem não só uma história cativante para o público infantil, mas também um significado e crítica para os mais velhos.
O filme segue o príncipe amaldiçoado, Ashitaka, na sua busca por uma cura. Durante o seu caminho, ele percebe que a raiz do seu problema está numa floresta, que se encontra ameaçada pelos humanos, onde encontra a princesa Mononoke (San) e uma miríade de criaturas místicas. Mas também acaba por conhecer uma cidade em guerra com a floresta, cujos habitantes são mulheres marginalizadas e homens doentes salvos pela líder deste local, Lady Eboshi. Esta explica ao rapaz que tem consciência de que estão a prejudicar a floresta, mas fazem-no apenas pelo “bem maior” que é ajudar estas pessoas a terem uma vida digna. Ashitaka como observador externo tenta convencer ambas as partes a encontrar um equilíbrio.
Como devem ter percebido, este filme não tem realmente um vilão principal. De um lado, San defende o direito de existência da floresta; do outro, Eboshi luta pelo progresso e pela dignidade dos seus. Como estamos a acompanhar alguém externo ao problema, vemos o panorama como ele realmente é: extremos que estão a tentar sobreviver à sua maneira mas sem entender o outro, num claro exercício de empatia.
Avançando para outra questão, a animação fluída e colorida em junção com o design de personagens extremamente bem realizado, traz-nos uma sensação de conto de fadas (a floresta) misturado com uma realidade industrial empobrecida (a Vila do Ferro), refletindo-se também na banda sonora ao longo do filme.
Como crítica, que honestamente está bastante explícita ao longo da obra, a guerra entre os dois lados é uma metáfora direta de como o capitalismo e o avanço humano acontecem às custas da destruição do planeta. A Princesa Mononoke deixa claro que, se optarmos por um caminho sem equilíbrio, a própria natureza acabará por reagir para retomar o seu estado inicial, um claro aviso que se traduz perfeitamente nas alterações climáticas e catástrofes naturais que enfrentamos hoje.
Para terminar, este é o meu filme favorito e por isso é que o escolhi para esta review. Em vez de dizer que o filme não envelheceu, eu diria que envelheceu comigo, porque cada vez que o vejo descubro mais detalhes e significados que anteriormente não tinha entendido. Além do romance fofo entre Ashitaka e San, este é um filme que entretém e nos faz refletir, tal como muitos outros filmes deste estúdio. Por isso, deixo o convite ao leitor para assistir não apenas esta obra, mas também a qualquer outra produção do Studio Ghibli.