Back to black (2024)
Back to black
Sam Taylor-Johnson · 2024
Crítica de Ana Rita
Review exclusiva do site, publicada em Novembro de 2025
“Eu quero que as pessoas ouçam a minha voz e esqueçam os seus problemas por cinco minutos.” A frase, escrita por Amy Winehouse quando tinha apenas 12 anos, é usada como introdução do filme biográfico “Back to Black” e tudo indicaria que seria o ponto central do mesmo, no entanto, o resultado final acaba por não cumprir esse objetivo.
Na verdade, “Back to Black” não parece cumprir nenhum objetivo, surge apenas como um desastre na categoria dos filmes biográficos, falhando em desenvolver tanto a vida pessoal de Amy quanto a sua evolução artística, e ainda em aspetos cinematográficos básicos: desenvolvimento cronológico, mais precisamente, cortes bruscos no tempo, e o tratamento superficial de temas essenciais.
Se partirmos do princípio de que se trata de um retrato do progresso artístico de Amy Winehouse, o filme falha em mostrar essa trajetória. Devido aos cortes bruscos e desajustados previamente mencionados, dá a impressão de que a cantora se tornou famosa da noite para o dia, o que está longe da realidade. Esse desenvolvimento lento da carreira da atriz não é visível, pois elementos-chaves para a sua formação, como as suas inspirações musicais e o ambiente entusiasmante em que ela viveu, foram deixados de parte no filme.
Um último ponto importante em relação à parte musical do filme é a própria representação da Amy. Um dos maiores alvos de críticas ao filme foi a escolha da atriz para a interpretar, mas sobretudo a sua performance musical, além de não parecer com a própria, na maioria das vezes pareceu uma entonação satírica, indo exatamente contra a frase inicial.
Se partirmos do princípio que se trata da descrição da vida pessoal dela, também é um filme muito ineficaz porque traz uma perspetiva unilateral a favor do pai dela, Mitch Winehouse, e da relação conturbada com Blake. Isto deve-se à falta de consentimento de pessoas que tiveram grande influência na vida dela, demonstrando a falta credibilidade do filme.
Em adição, o filme trata de forma superficial temas fundamentais, como o vício em drogas e a anorexia, ambos determinantes na vida e na morte de Amy. Um dos exemplos mais claros é o uso inadequado na linha cronológica de uma das suas músicas, “Rehab”, bem como a omissão de outras duas vezes que ela esteve em reabilitação e a maneira como elas ocorreram, salientando uma perspetiva que favorece Mitch Winehouse e Blake.
Concluindo, este filme foi especialmente muito mal redigido, pois traz uma versão rasa e superficial da vida de Amy Winehouse como peça central do pai e a relação amorosa dela, fazendo a alteração de factos para agradar, então, estas duas personalidades. “Back in black” não foi só um mau filme, foi também uma má caracterização da sua vida e da sua pessoa, denegrindo a sua imagem e uma má abertura para o público a conhecer.