Crimson Peak: A Colina Vermelha
Crimson Peak
Guillermo del Toro · 2015
Crítica de Mariana Loureiro
Também incluída no Online exclusive, publicado em Setembro de 2025
Uma figura feminina pálida. Um ambiente tão ou mais esbranquiçado que ela. Uma mão e uma face manchadas de vermelho.
As primeiras palavras que ouvimos são “Os fantasmas são reais”. Mas esta não é uma história de fantasmas.
Edith Cushing é uma jovem americana cuja mãe morreu quando esta tinha apenas 10 anos, altura em que começou a ser visitada por fantasmas. Apaixonada pela escrita e motivada por um grande interesse por estas criaturas fantasmagóricas, a nossa protagonista revela-se uma escritora incompreendida e rejeitada pela sociedade. Mas tudo muda quando chegam à cidade os irmãos Thomas e Lucille Sharpe. Vindos de Inglaterra, os irmãos procuram encontrar financiamento para a invenção de Thomas junto do pai de Edith.
Rapidamente se começa a desenrolar um romance entre Edith e Thomas, mas ao mesmo tempo uma série de acontecimentos bizarros e trágicos começam a assombrar Edith.
Ao longo de toda esta obra cinematográfica, os espetadores são transportados para um universo de cores vibrantes mas desconfortáveis que nos fazem sentir as aflições das personagens. Gostava de destacar, em particular, o uso das cores mais esverdeadas e amareladas que caracterizam a jovem Edith e que destoam e contrastam com os carmesins e azuis-escuros intensos que se associam aos irmãos Sharpe e à sua aura de escuridão. Este contraste profundo contribui para reforçar a forma como Edith parece ser uma figura fora do seu lugar, que não pertence à colina vermelha.
A trilha sonora também é fundamental para o envolvimento dos espetadores neste ambiente negro e perturbador. Realmente, parece que cada som e cada movimento da câmara foi planeado ao milímetro para inserir o público ao máximo na trama deste filme.
Para além de beleza cinematográfica, figurinos deslumbrantes e storytelling visual, “Crimson Peak: A Colina Vermelha” é uma história de traumas, violência, obsessão e um estranho conceito de amor. Até que ponto conseguimos distinguir o amor da manipulação e obsessão? Esta é uma questão que assombra toda a narrativa e que certamente será despertada na mente dos nossos caros leitores.
Por fim, concluo ao dizer que, para além de um enredo interessante e surpreendente, este filme é visualmente belíssimo e as performances de Mia Wasikowska, Tom Hiddleston e Jessica Chastain são simplesmente fenomenais, captando qualquer espetador do início ao fim.