Homem-Aranha: Através do Aranhaverso
Spider-Man: Across the Spider-Verse
Kemp Powers, Justin K. Thompson e Joaquim Dos Santos · 2023
Crítica de Natan Melo
Review exclusiva do site, publicada em Agosto de 2025
Depois de ter opinado sobre o primeiro filme (e, se ainda não vistes, a review dele foi a última publicada e está disponível no site da FINK), não podia deixar de comentar a sua continuação: Spider-Man: Across the Spider-Verse. E decidi reservar justamente o dia de hoje, o dia do meu aniversário, para escrever uma crítica com todo o meu coração e falar do que é, para mim, um dos maiores filmes de todos os tempos. Sei que essa afirmação pode soar um pouco forte, mas se eu conseguir transmitir pelo menos 10% da minha apreciação por este filme, terei cumprido o meu dever.
A história continua a acompanhar o Homem-Aranha Miles Morales e passa-se 18 meses após o primeiro filme. Aqui, ele já é de facto um herói e luta para manter a cidade segura, o seu segredo escondido e assegurar o seu futuro, tudo ao mesmo tempo. No entanto, tudo isso muda quando Gwen retorna para visitá-lo e apresenta-lhe todo um novo universo… de multiversos. Porém, Miles tem o seu moral confrontado quando se apercebe da dura verdade.
Sei que, a princípio, esta sinopse pode não fazer o menor sentido, parecer confusa ou até mesmo muito genérica para aqueles que ainda não viram o filme, mas, tratando-se de uma sequela onde o ponto alto do filme é o plot twist e a quebra de expectativas, acho que o melhor a fazer é manter os spoilers guardados. Por essa razão, esta review não terá grandes revelações.
Passo agora a falar de um dos elementos mais importantes de qualquer filme: o enredo. Aqueles que já viram o filme irão considerar uma tarefa ambiciosa dada a sua complexidade e camadas. Ao contrário do primeiro filme, neste os roteiristas foram bem mais ousados e quebram qualquer tipo de antecipação por parte dos espectadores. Nada acontece por acaso. O vilão, o antagonista principal (sim, porque não é o único), é introduzido de uma forma tão simples e leve que nos faz encolher em nossas cadeiras à medida que a sua personagem cresce ao longo do filme. Os indicadores de tragédia acompanham todo o filme e, embora estejam lá, talvez só sejam identificados após assistir uma segunda ou terceira vez. Diversos personagens são introduzidos de maneira dinâmica e natural. E, acima de tudo, uma história boa e coerente é contada.
Entendo, contudo, que para muitos o desfecho possa não ser totalmente satisfatório, já que é, de certa forma, incompleto, uma vez que ainda há um terceiro e último filme para ser lançado em 2027. Mas, para mim, o filme consegue introduzir as temáticas que pretende, trabalha-as conscientemente e desenvolve-as na profundidade necessária, ao mesmo tempo que mantêm as expectativas para o fim da trilogia. A meu ver, o Miles é sim o protagonista, mas a verdadeira história que está a ser contada é a da Gwen. O filme começa com ela, trabalha os seus conflitos e encerra com a sua história “finalizada”. É difícil explicar este conceito, já que não existem muitos filmes ousados o suficiente para tomarem decisões como esta, mas considero-o simplesmente genial. É uma forma única de contar diversas tramas num único filme, mas sem perder a sua essência.
Para além de ter uma excelente estrutura narrativa com ótimos personagens, o filme conta ainda com uma beleza sem tamanho, sendo um dos mais belos que já vi. Se quiser testar, basta pausar em absolutamente qualquer frame e terá diante de si uma obra de arte. Essa “desculpa” das várias dimensões deixa os animadores livres para testarem estilos de animação diferentes e únicos, criando assim um mix de criações muito peculiar que, visualmente falando, funciona perfeitamente. Cada traço de cada cenário ou personagem transmite sentimento e deixa toda a obra viva.
Termino a minha crítica por aqui, sem pontos negativos para a acrescentar. O Homem-Aranha: Através do Aranhaverso consegue, para mim, superar o primeiro filme em todos os aspectos, replicando tudo o que funcionou, mas levando-o ainda mais longe. E, se o primeiro era um 9.5, este é um 10 sem sombra de dúvidas. Inclusive, arrisco dizer que o Aranhaverso 2 é, até ao momento, o melhor filme da última década!