Ne Zha

Ne Zha

Yang Yu · 2019

Crítica de

Review exclusiva do site, publicada em Janeiro de 2026

A princípio, muitos irão ver este cartaz, ler este nome e não reconhecerão de que filme venho falar hoje. E eu não vos julgo, já que nem mesmo eu o conhecia até há poucos meses atrás. Ne Zha trata-se de uma produção chinesa e, por isso, não ficou tão conhecida aqui no Ocidente. Porém, a animação conseguiu receber um bom destaque a nível global após o lançamento de Ne Zha 2, filme este que conseguiu a incrível marca de passar dos dois mil milhões de dólares em receitas e entrou para o top 5 das maiores bilheteiras da história (sim, isto aconteceu), conseguindo superar até mesmo Avengers: Infinity War e Star Wars. Tendo isto em conta, decidi explorar este universo a fundo e ganhei coragem para assistir ao primeiro filme desta saga.

Ne Zha é um filme baseado na cultura e mitologia chinesa e, por isso, terei cuidado para não cometer nenhum equívoco. A história acompanha uma criança que nasceu como a reencarnação do mau após ter recebido a jóia do caos, sendo por isso destinada, por profecia, a trazer destruição para o mundo. No entanto, ao crescer, esta criança, Ne Zha, deve escolher se quer mesmo fazer o bem ou o mal e traçar o seu próprio caminho para descobrir se será possível ou não mudar o seu destino.

Primeiramente, eu gostaria de destacar que o filme não é nada parecido com qualquer coisa que estejamos acostumados das grandes produções americanas ou até mesmo europeias (e isso pode ser considerado tanto um ponto positivo quanto um ponto negativo). A velocidade do filme não é constante, há demasiado humor de baixo nível mas também muitas cenas de ação bem coreografadas. Assim, a experiência do filme é, no mínimo, incómoda, sendo um mix de sentimentos.

Em relação ao enredo, eu também não posso afirmar que é perfeito. A mitologia não é completamente explicada para os espectadores e a ordem dos eventos não é tão bem trabalhada. Porém, nada disso impede que a história seja de facto contada e que nós não nos importemos com ela. A caminhada de Ne Zha é interessante e ficamos apreensivos para saber como ele lidará com os seus obstáculos.

Mas então, o que é realmente bom nesse filme? A resposta a esta pergunta é: os personagens. Ao assistir em mandarim, sua versão original, é visível notar como todas as personagens possuem muita vida mas também muita complexidade, havendo muitas temáticas profundas que são abordadas, mesmo que indiretamente. 

Com isso, chego também a outro grande ponto positivo do filme: a sua mensagem. O filme aborda muito bem a questão da dualidade entre o certo e o errado, sem parecer forçado ou genérico. E esta temática é ainda mais realçada quando o nosso protagonista interage diretamente com Ao Bing, o detentor da jóia da alma e, por destino, quem deveria ser o seu maior rival.

Concluindo, eu considero que o filme seja bom e tenha as suas qualidades, porém também há muitos pontos baixos e sei que não será o filme ideal para todos os gostos. Portanto, deixo o desafio para aqueles que querem explorar novas culturas de assistir a este filme e à sua sequela.