Novocaine
Novocaine
Kara Lindstrom · 2025
Crítica de Martim Pereira
Review exclusiva do site, publicada em Abril de 2025
Fui ver Novocaine na expectativa de que não fosse um filme particularmente memorável, mas divertido. Ainda assim, conseguiu desapontar-me, na medida em que foi ainda menos impactante do que eu esperava, pelo que deixou mesmo a desejar no momento.
O conceito é simples. É uma comédia de ação como já vimos várias vezes, em que um homem que até então não mostrava grandes vestígios de confiança, encontra-a numa jovem interessada por ele apenas por conveniência do guião, e, quando esta se encontra em perigo, toma responsabilidade pelo seu resgate, em altercações que evidenciam as suas inseguranças, com que nos devemos identificar, e, por conseguinte, vivermos as suas conquistas seguintes com maior intensidade.
Neste caso, o nome deste indivíduo é Nathan Caine, interpretado por Jack Quaid. Nathan nasceu com uma malformação do sistema nervoso que faz com que ele seja incapaz de sentir dor, o que lhe permite levar o seu corpo muito para além do limite durante a perseguição. Este é o conceito sobre o qual o filme gira à volta, é naquilo que alicerça o seu enredo e que espera que o faça sobressair. No entanto, o filme não nos entrega momentos de violência Tarantinesca suficientes para justificar que esta seja a sua identidade. Talvez seja por que o filme não teve um orçamento que o permitisse, mas, sendo assim, pergunto-me porque decidiram que este fosse o trunfo desta produção.
Reforço que o filme parece não ter muito interesse em investir em outros aspetos que não a ação, o diálogo é aborrecido e as atuações são esquecíveis. Mesmo nas atuações de Quaid e de Jacob Batalon, que são de longe as melhores, nota-se que os argumentistas quiseram emular as personagens que estes interpretaram no passado, para obterem uma boa reação do público – o que, na minha opinião, revela também um pouco de falta de originalidade.
Apesar de acreditar que o filme é, em geral, não muito inspirado, acho também que oscila muito em qualidade durante a sua duração. O ponto alto é, sem dúvida, a ação. Os pontos baixos, onde o filme me perdeu, são os momentos de diálogo, em particular aqueles em que Novocaine se leva demasiado a sério. Este não é o tipo de história que beneficie de diálogo austero, passando muitas vezes por falta de consciência e de habilidade de compreender o seu propósito. Esta sobriedade por vezes afeta até a ação, que não abraça a absurdez do seu conceito e coreografia.
Em geral, penso que este filme tinha potencial para ser pelo menos um bom bocado, mas acabou por sofrer de uma grande falta de direção para lhe dar identidade e de vontade para o tornar algo mais.