Sexta-feira 13

Friday the 13th

Sean S. Cunningham · 1980

Crítica de

Review exclusiva do site, publicada em Outubro de 2025

Sexta-feira 13 marca um momento de viragem nos filmes de terror. No mesmo ano em que sai “The Shinning” de Kubrick, sai um filme de terror que de alguma forma seria ainda mais influente, mas que capturaria um público completamente diferente. Kubrick era um realizador de culto. Os seus fãs teriam vontade de ver qualquer estilo no qual ele se aventurasse. O público de “The Shinning” não era necessariamente o público de terror, mas sim o público de Kubrick. Isto faz-nos pensar sobre quem era, exatamente, o público-alvo dos filmes de terror. Nesta altura, era preciso criá-lo. Os adolescentes, em particular aqueles que não eram especialmente apreciadores da sétima arte, tinham duas coisas que os tornavam muito proveitosos para um realizador à procura de se lançar com um filme de terror “popularucho”: muito tempo livre e pouca exigência. A única utilidade que tinham para a sala de cinema seria a de levar alguém com eles. O diretor Sean Cunningham terá percebido a ligação entre o medo e a excitação. Daí entende que a melhor forma de os capturar é a de criar um filme com nudez gratuita e violência grotesca. Um filme que oscila em grandes picos entre o completo tédio e o êxtase. Essa assume-se mais ou menos como a fórmula deste filme, sendo também aquilo que o torna tão aborrecido. Em contraste ao seu contemporâneo “The Shinning”, o stress em “Sexta-feira 13” não é constante. Este filme foi uma das ignições para o início dos “Jumpscares”, o terror é muito pontual. Nunca senti que o filme merecia criar susto, não há nenhum engenho envolvido, apostando em ação repentina e imagem excessivamente grotesca. Essencialmente, aposta em sustos fáceis que não consigo evitar se não revirar os olhos. Um detalhe que gostava de sublinhar é que, dado que era importante para este filme captar a atenção do público adolescente, são utilizadas muitas estratégias para que o filme se mantenha minimamente “PG” como cortar a imagem aquando do desfecho (absolutamente anti-climático) e seguir todas as cenas de homicídios com momentos leves. Táticas estas que magoam profundamente a continuidade e o ambiente.

Percebo que para quem este filme é um “guilty pleasure” a sua previsibilidade é confortável, e que o trago de mau gosto é engraçado. Nenhum destes pontos me intriga. E, para além da preguiça inerente, também pouco me ofende.  É apenas aborrecido. No entanto, sinto-me algo interessado pela fatia de história do cinema e da cultura popular que representa. De realçar também que, dentro dos “Slashers”, não é particularmente ultrajante. Para além disso, acho que, caso seja visto com amigos, pode efetivamente ser divertido, não sendo completamente isento de valor por essas razões.