Superman (2025)

Superman

James Gunn · 2025

Crítica de

Review exclusiva do site, publicada em Julho de 2025

Antes de mais, é relevante clarificar que, tendo o filme sido lançado há poucos dias atrás, esta review NÃO POSSUI SPOILERS. Tendo isto esclarecido, seguimos com a avaliação do filme.

Superman de James Gunn surge num momento crítico para a DC. Este filme tem a função de reiniciar o universo e, finalmente, construir algo conciso e coeso. E, para mim, a decisão de mais uma vez trazer este herói para as grandes telas foi assertivamente um ótimo pontapé inicial.

A história passa-se três anos após o Superman já ser um herói mundialmente conhecido. No entanto, desconfianças sobre este renomado herói começam a surgir quando as suas ações começam a ser eticamente analisadas, questionando a sua identidade, o seu propósito e o que ele realmente é.

No começo, apenas a ideia de assistir a mais um filme de introdução a um herói parece ser saturada e cansativa. Por esta razão, Gunn opta por não fazer isso. Somos diretamente lançados sem paraquedas para este universo fictício fantástico que mistura os clássicos de banda desenhada com a modernidade atual, num mundo onde já há vários heróis e diversos conflitos. Mas, mesmo assim, não é difícil apanhar o comboio a meio e seguir esta viagem, pois, de uma maneira não forçada, tudo é meticulosamente explicado e apresentado para nós, espectadores.

Assim, o filme consegue fazer sentido e agradar tanto os fãs mais antigos quanto o novo público, sendo um filme para todos.

Quero já destacar o que foi, para mim, o ponto alto do filme, o elenco. David Corenswet (Superman), Rachel Brosnahan (Lois Lane) e Nicholas Hoult (Lex Luthor) são os três personagens mais importantes do filme e, para além de protagonizarem uma atuação memorável e convincente, trazem novas perspectivas destas figuras ao cinema. Lois não é só mais uma vítima que precisa ser salva. Ela também é curiosa, não se contenta com as coisas do jeito que elas são e vai atrás daquilo que quer. O Superman não é um ser invencível e indestrutível, mas é alguém que também falha e que precisa de se esforçar para superar os seus problemas. E o Luthor não é só um lunático obcecado por poder. Este personagem mostra ser também um verdadeiro narcisista com complexo de superioridade. E eu, pessoalmente, achei incrível a entrega e performance do Hoult neste filme para fazer este vilão, conseguindo sempre roubar completamente a cena.

Quanto aos outros aspetos do filme, não acho que haja muitos defeitos a apontar. As coreografias e sequências de ação são bem executadas, os efeitos visuais e o som são bem trabalhados e o longa consegue ser sério e dramático quando precisa, mas também leve e divertido quando pode. Porém, a única questão que me atinge é o roteiro. Eu entendo que a ideia é ser algo mais simples, pois o foco não é a história e sim aquilo que está ao redor da história, mas isto pode, por vezes, ser desconfortável.

Obviamente que, apesar de ser um filme de herói, nunca será somente um filme de herói. A dualidade entre Lex Luthor, um humano frio e distante que se acha superior, e Superman, um alienígena empático e altruísta que se acha humano, move toda a crítica do filme de um modo subtil e fluido, levando-nos a indagar: “Seria um alien mais humano que a própria humanidade?”.