Um Filme Minecraft

A Minecraft Movie

Jared Hess · 2025

Crítica de

Review exclusiva do site, publicada em Abril de 2025

Como é que um gigante dos videojogos, com mais de 300 milhões de cópias vendidas por tudo o mundo, faz o salto para o grande ecrã sem desiludir os seus dedicados fãs? Um Filme Minecraft não sabe responder completamente à pergunta mas, considerando tantas outras franquias que tentaram juntar-se a este meio, na sua tentativa entrega um filme divertido, humoroso e caótico.

O filme segue a história de cinco personagens nas suas aventuras não só dentro do “overworld”, com a luta de Steve (Jack Black) para proteger o seu mundo e o seu companheiro canino Dennis, como também no mundo real, caso dos irmãos Henry (Sebastian Hansen) e Natalie (Emma Myers), que aprendem a viver um com o outro como a família que lhes resta. O nosso grupo é composto ainda por Garret (Jason Momoa), um arruinado campeão de videojogos nos anos 80, e Dawn (Danielle Brooks), apaixonada por animais e pronta para enfrentar todos os desafios.

Um filme Minecraft não é um bom filme, não é um filme que fará críticos rejubilar de felicidade e amor cinematográfico, mas creio que não precisa disso. O filme consegue divertir durante toda a sua duração em grande parte carregada pela sua comédia, especialmente liderada por Black e Momoa que revelam uma química enorme, que tem os seus momentos fortes que forçam uma gargalhada até aos mais velhos, fugindo ao tema clássico de filmes para mais novos do humor “de casa de banho”. Para além disso, ao longo do filme somos abençoados com algumas pérolas musicais que, sem sombra de dúvida, revelam a pegada de Jack Black na sua escrita. As atuações também têm, embora muito mais esporádicos, momentos “bons” que permitem desfrutar do filme com mais facilidade e sem ter o sentimento de estarmos a assistir a re-runs do “The Room”.

Mesmo com tantos pontos a seu favor, o filme acaba por desabar em certos pontos cruciais. Algumas das atuações do cast principal sentem-se forçadas e até um pouco mecânicas, tanto pela entrega dos atores como pelo próprio texto, que em momentos se torna redundante ou excessivamente expositivo. O enredo por vezes torna-se confuso nas histórias que quer contar, muito reforçado pelo facto do nosso grupo principal ser tão grande, tendo cenas e diálogos meramente expositivos que não afetam de qualquer maneira a história. Embora a comédia seja, para mim, o aspeto que salva em grande parte a experiência, esta não é de todo perfeita. Mesmo com a química de Black e Momoa, acabamos por ter as situações “he’s right behind me, isn’t he?” que não destroem o quanto a pessoa pode desfrutar, mas deixam sempre aquele sorriso embaraçoso nos lábios.

Creio profundamente que Jared Hess conseguiu trazer uma experiência verdadeiramente divertida para o cinema, lembrando outros dos seus trabalhos como Napoleon Dynamite e Nacho Libre, e conseguiu carregar um pouco da magia do mundo Minecraft para o grande ecrã, num filme onde os grandes fãs vão poder encontrar muitas referências e carinho pelo famoso jogo. Um filme Minecraft pode não ser incrível, mas consegue ser extremamente divertido e, talvez num futuro próximo, consiga encontrar o seu lugar nalguns grupos como um novo cult-classic.