Festival Rocky De Terror
The Rocky Horror Picture Show
Jim Sharman · 1975
Crítica de Francisco Queiroga
Review exclusiva do site, publicada em Outubro de 2025
Como uma pessoa que não entra na categoria dos amantes de cinema de terror, explorando única e exclusivamente os antigos clássicos dos anos 80 e 90 com os seus slashers e aliens, “Rocky Horror Picture Show” foi das mais divertidas e surpreendentes aventuras cinematográficas que tive o gosto de poder presenciar recentemente.
Um filme em que o enredo não segue os parâmetros clássicos, com uma história coerente em que o espectador não se atreve a perder uma fala para o compreender como um todo, muitas vezes é uma aposta rebuscada e extremamente instável. No entanto, Rocky Horror entrega-nos um enredo cativante que se perde nos seus múltiplos “episódios”, onde vamos aprendendo muito pouco sobre as nossas personagens principais, somente o essencial, elevando o seu misticismo, como é o caso do Dr. Frank N. Furter. Para além do seu enredo peculiar mas cativante, o aspeto musical do filme é simplesmente bem conseguido, sente-se o pulsar do coração musical original que conseguiu dar o grandioso salto para o grande ecrã, que muitas vezes é um desafio que muitas outras obras não conseguem enfrentar.
O que mais me cativou em Rocky Horror foram as suas personagens e as atuações que lhes deram uma vida única. O reservado e conservador casal de Brad e Janet que incorporam o amor “clássico” e aceite pela sociedade, vê-se perdido na mansão do nosso Dr.Frank N. Furter e acaba por se redescobrir, mostrando a todos nós como até estes “amores perfeitos” escondem lados de luxúria e promiscuidade que a sociedade não quer ver, pois é mais fácil olhar para um mundo arrumado e limpo, onde os desejos e paixões humanas são unicamente um acessório para se mostrar aos outros o quão felizes fingimos ser. Este casal ganha vida no grande ecrã com Barry Bostwick, que nos traz um “herói” que pensa saber ser o homem viril e cuidadoso mas que acaba ridicularizado, e Susan Sarandon, uma jovem dócil e gentil que interpreta a clássica princesa em apuros. No entanto, a estrela do filme, que rouba toda a atenção cada vez que está em cena, tanto pela sua aparência e guarda-roupa como pela sua atuação, é Tim Curry, que dá vida ao misterioso Dr. Frank N. Furter, com a sua voz magnânime, que enriquece ainda mais toda a musicalidade do filme, e a sua atuação elegante e provocadora.
Um clássico, não só extremamente divertido e bem conseguido, como também uma obra que é, e sempre foi desde a sua concepção como musical, importante para a comunidade queer, “Rocky Horror Picture Show” é uma experiência a não perder, seja pela sua história, pela sua importância, pelas suas músicas ou mesmo que seja para poder presenciar o grandioso Tim Curry enfeitiçar-nos com a sua voz e os seus maneirismos.