Guerra dos Mundos (2025)
War of the Worlds
Rich Lee · 2025
Crítica de Natan Melo
Review exclusiva do site, publicada em Setembro de 2025
Um filme sobre família, sobre superação, sobre perda de privacidade e sobre… uma invasão alienígena que veio à Terra para destruir os nossos ficheiros? A Guerra dos Mundos (2025) é uma espécie de remake do filme de 2005 dirigido por Steven Spielberg que, por sua vez, também é uma adaptação da obra literária original de 1897: War of the Worlds.
E, mesmo com tudo isso, tenho o desprazer de informar que estamos diante do pior filme do ano. Na verdade, chego a considerá-lo o pior filme da década ou até mesmo um dos piores filmes deste século, sem exageros. Mas, se ele é assim tão mau, por que tive o infortúnio de o ver? Simples: para salvar outras pessoas de passarem pelo mesmo.
Will Radford (Ice Cube) é um dos maiores analistas de segurança dos Estados Unidos e é responsável por encontrar hackers e outras ameaças digitais para o governo. Ao mesmo tempo, ele usa essas mesmas habilidades para ser superprotetor e monitorar a sua própria família. No entanto, tudo muda quando a Terra é atacada por aliens que procuram algo que o governo escondia de todos, inclusive do próprio Will, por muito tempo.
Antes de continuar, aviso que esta crítica terá todos os spoilers possíveis, já que a história seria confusa demais de se explorar sem contar certos detalhes e eu também não quero que ninguém mais sofra assistindo a essa “obra-prima”.
O filme segue um estilo cinematográfico similar ao de Searching, em que toda a narrativa decorre através da tela do computador do protagonista e da sua facecam. Mas, ao contrário de Searching (que é realmente bom e recomendo), este filme é visualmente horroroso e não faz sentido algum.
O enredo, só por si, é péssimo. Além de ser extremamente previsível, nada tem nexo. Toda parte ligada ao “hacking” é completamente mal representada. Não tem lógica os aliens atacarem os armazenamentos do governo para roubar dados pessoais das pessoas quando quem na verdade está a recolher as nossas informações hoje em dia são as empresas como a Google, a Meta ou a Amazon, e não o governo diretamente.
Quanto aos personagens… não há nenhum que se salve. A má interpretação do elenco soma-se a uma escrita fraca e sem profundidade. Todos são unidimensionais e não há qualquer humanização. Além disso, o número reduzido de personagens (menos de uma dúzia) torna qualquer tentativa de plot twist completamente previsível e triste.
Uma banda sonora boa? Não há. Efeitos visuais realistas? Não existem. Algum tipo de mensagem para a audiência? Não encontrei. Porém, em contrapartida, há muita comédia neste filme de drama, porque cada erro que surge é simplesmente hilário. Enquanto o Ice Cube faz as suas caras de streamer de react, é possível ver, em vários momentos, o reflexo do monitor nos seus óculos e é simplesmente uma tela verde… Como pode um dos maiores génios mal saber usar uma ferramenta básica como o Excel? Para não falar que, quando o Facebook é apagado, ele perde todas as suas fotos que estavam guardadas apenas lá e não na nuvem, numa galeria ou em qualquer outro lugar. Estes são apenas alguns dos MUITOS exemplos de erros grotescos que o filme comete.
Para piorar, o filme acaba por ser nada mais do que uma enorme publicidade à Amazon. Em determinado momento, há inclusivamente uma explicação sobre o seu uso, mostrando o quão rápidas são as entregas através de drones e a suposta eficiência da empresa. Quando o espectador percebe que dedicou hora e meia a assistir a um anúncio disfarçado, a frustração é inevitável. É irónico que a Prime Video, uma plataforma streaming da Amazon que produziu e distribuiu o filme, parece não ter reparado que este acaba por ser uma crítica indireta a como a própria Amazon invade a nossa privacidade.
Enfim, reafirmo tudo o que disse antes: ninguém deveria desperdiçar mais de 90 minutos a assistir a este filme. Eu já sofri por todos vocês.