Insidioso
Insidious
James Wan · 2010
Crítica de Ana Rita
Review exclusiva do site, publicada em Agosto de 2026
O filme “Insidious: O Longínquo” estreia nos cinemas portugueses em Agosto de 2026, o sexto de uma das franquias sobrenaturais mais famosas que estreou há mais de uma década. Dito isto, qual a melhor forma de abrir portas a este filme? Relembrar daquele que deu início a todo um universo e expandiu o género do terror como conhecemos hoje.
“Insidious” de 2010 conta-nos a história de uma família que se acabou de mudar e constata alguns eventos bizarros que vão escalando depois que um dos três filhos entra em coma de forma inexplicável, assumem que é a casa que está amaldiçoada e voltam a mudar-se. Porém as experiências paranormais retornam e finalmente, com a ajuda da Elise Rainier, interpretada por Lin Shaye, são introduzidos ao “Além”, que eu acho extremamente interessante, não por ser assustador mas pela atmosfera e pelas diferentes entidades temporais.
Pessoalmente, os filmes de terror sobrenatural não me chamam a atenção, pois como por vezes é um conceito tão distante da nossa realidade que não me permite sentir qualquer tensão sobre a história ou os indivíduos, relembrando que o terror como um todo surge não só na intenção de infligir medo nas pessoas como criticar certos comportamentos na sociedade. No entanto, acredito que esta distorção da realidade seja a razão pela qual muita gente aprecia o subgênero. Mesmo indo contra esse pensamento e deslocando-me desta perspectiva, não acho que este filme tenha uma construção narrativa particularmente boa: especialmente na criação das personagens, porque a maioria destas acabam por ser apenas uma parte da história do protagonista, não tendo quaisquer características notáveis. Gostava apenas de mencionar o Specs e o Tucker, interpretados por Leigh Whannell e Angus Sampson respetivamente, por trazerem essencialmente o alívio cômico ao filme. Mas então como é que o longa chega a revolucionar o cinema?
Este filme cria tensão muito bem pelo trabalho de câmera e pela trilha sonora, ao contrário de algumas decisões de edição envolvendo os efeitos sonoros, no fundo desenvolve bem a estética que se propõe a fazer. Os ângulos de câmara que neste trabalho já são instigantes, são também o início de uma visão do diretor que vai seguir ao longo de outros filmes importantes da sua carreira, como “Saw”.
Em coligação com isso temos a estética do filme, obviamente um filme de terror tende para uma atmosfera mais escura, mas os focos de cor em determinados objetos, concretamente os que estão relacionados com a criatura com cara de fogo tornam o filme muito mais estimulante. Ao longo do filme, a sua atmosfera torna-se mais leve com a presença da própria Elise Rainier essencialmente por estar ligada ao “Além” e ser capaz de resolver os problemas daquela família, o que demonstra o quão bem pensado são os detalhes deste filme. Uma cena que mistura estes dois pontos fortes do filme e o seu alívio cómico, é quando o Tucker passa as diferentes lentes pelos seus óculos paranormais.
Não consigo deixar de lado a trilha sonora deste filme com boas peças melancólicas para esses momentos, mas também a música que possivelmente ainda está mais ligada ao mundo do terror: “Tiptoe Through the Tulips” por Tiny Tim.
No fundo, “Insidious” não é um filme assustador mas é um filme que entretém e abre horizontes para desenvolver um bom universo na franquia e no gênero em que se insere, com a forte cinematografia e trilha sonora.