Sinners
Sinners
Ryan Coogler · 2025
Crítica de Tomás Figueiredo
Review exclusiva do site, publicada em Maio de 2025
Sinners, de 2025, é um thriller/terror que conta a história de Smoke e Stack (dois gémeos interpretados por Michael B. Jordan) que, após voltarem à sua terra natal para construir um negócio numa tentativa de deixarem para trás as suas vidas de gangsters, acabam por se deparar com um mal até então inimaginável.
A trama segue a história dos gémeos abastados desde o seu regresso à zona de Delta no Mississipi e acompanha a sua jornada enquanto estes, após ganharem uma quantia exorbitante com a vida do crime, decidem abrir um bar de música ao vivo exclusivo para pessoas negras. O que eles não contavam é que esta ação iria atrair criaturas sombrias e sobrenaturais, ainda que aparentemente humanas, com a única intenção de os atacar.
Sendo o elenco constituído por bastantes atores e atrizes, sendo alguns deles caras já bem conhecidas em Hollywood, seria de esperar que as atuações fossem de peso, o que se verifica neste caso, com especial destaque para Michael B. Jordan, Hailee Steinfeld e Miles Caton. Apesar de a trama envolver elementos sobrenaturais, o elenco nunca cai na caricatura. Pelo contrário, as atuações são ancoradas em verdade emocional, tornando credível um mundo onde criaturas paranormais atacam pessoas negras.
Aspetos técnicos que se destacam neste filme são a trilha sonora, composta por Ludwig Göransson, fundamental para a atmosfera do filme, combinando blues, gospel e elementos sobrenaturais de forma harmoniosa e a cinematografia de Autumn Durald Arkapaw, que captura com maestria a beleza e a tensão do sul dos Estados Unidos na década de 1930, utilizando uma paleta de cores e iluminação que reforça o tom gótico e sombrio da narrativa.
O figurino e o design de produção de Sinners são também dois dos elementos mais marcantes e elogiáveis do filme — não apenas compondo a atmosfera visual, mas também contando uma história paralela de identidade, resistência e decadência moral. A figurinista Ruth E. Carter (conhecida pelo seu trabalho premiado em Black Panther) entrega mais uma obra-prima ao vestir os personagens de Sinners com uma riqueza simbólica que vai além da fidelidade histórica. Smoke e Stack, por exemplo, usam fatos escuros, ajustados, com tecidos pesados e levemente desgastados. Os seus trajes colocam-nos entre a sofisticação e a ruína, refletindo a sua tentativa de afirmar autoridade num mundo que insiste em apagá-los. Os antagonistas, em contraste, vestem-se com uma elegância antiquada: fatos claros, tecidos luxuosos, acessórios prateados e colarinhos engomados. Eles parecem deslocados no tempo — um toque intencional que reforça a sua natureza predatória e alienígena. Por sua vez, a direção de arte, liderada por Hannah Beachler, reconstrói o Mississippi dos anos 1930 com um realismo quase palpável, combinado com uma atmosfera etérea e decadente — típica do gótico sulista.
Em suma, Sinners é uma obra que transcende o seu género ao combinar elementos históricos, sociais e sobrenaturais com uma estética impecável e atuações poderosas. O filme não só entretém, como também provoca uma reflexão profunda sobre temas urgentes como racismo, identidade e resistência cultural. Com a sua narrativa envolvente, figurinos e design de produção cuidadosamente elaborados, o filme finca-se como um marco cinematográfico do ano capaz de emocionar e desafiar o espectador, deixando uma marca duradoura no cinema contemporâneo.