Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith
Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith
George Lucas · 2005
Crítica de Natan Melo
Review exclusiva do site, publicada em Maio de 2025
Amor e guerra. Não, não me refiro ao livro, mas sim ao resumo do que é este filme. Mas por que falar sobre este filme agora? Porque em maio de 2005, há 20 anos, a conclusão da Trilogia Prequel era finalizada com o lançamento deste filme. Filme este que é considerado por muitos um dos melhores deste grande universo de Star Wars e que foi responsável por explicar a origem de um dos maiores vilões do cinema, Darth Vader.
Como estamos a falar de um filme com 20 anos de idade, aviso desde já que nesta review em específico, haverão spoilers. Mas não creio que isto será um grande problema, pois os três “primeiros” episódios dessa Saga foram criados após os três filmes originais, ou seja, todos que o virão depois já sabiam a forma como ele terminaria. Mas então, como criar algo novo e, principalmente, bom se todos já sabem o final? Foi essa a árdua tarefa que George Lucas se incumbiu de fazer.
O filme passa-se cerca de 3 anos após o final dos acontecimentos do filme anterior, O Ataque dos Clones. Neste período de guerra, os Jedi lutaram ao lado da República juntamente com a ajuda de clones contra os Separatistas, comandados por Conde Dooku (Christopher Lee), um Sith. O filme aborda o final da guerra, com os Separatistas sendo derrotados e a República saindo vitoriosa, mas não é assim tão simples.
A trama desenvolve-se principalmente em torno de Anakin Skywalker (Hayden Christensen), cavaleiro Jedi, que vive uma segunda vida secreta com a sua esposa Padmé (Natalie Portman). Porém, com medo de perder a ela e ao seu futuro filho, Anakin começa a aprender caminhos alternativos com o Chanceler Palpatine (Ian McDiarmid). Uma coisa leva a outra e Anakin acaba por se tornar num espião duplo, entrando no Conselho Jedi para comunicar ao Chanceler e, ao mesmo tempo, se aproximando do mesmo para comunicar aos Jedi. Esta situação conturbada, juntamente com os acontecimentos da guerra e a postura dos Jedi perante tudo isso, cria uma grande perturbação em Skywalker, levando-o a repensar o que é realmente correto.
Apesar de tudo, neste universo parecer ser muito “irreal”, a trama e o dilema do protagonista são reais e são sentidos pelos espectadores. Acaba que, desta maneira, onde acompanhamos a jornada de um vilão declarado (Darth Vader), cabe ao pensamento crítico de cada um decidir o que é correto ou não. O filme não tenta esconder ou aliviar o que Darth Vader fez, o que é um ponto positivo. Assim, ele fomenta uma discussão entre os fãs sobre até que ponto há lógica naquilo que acontece.
Para além da trama do protagonista, há a trama da guerra. A República, uma democracia, parece frágil após estes anos de guerra, mas, após o bom trabalho do Chanceler – que já ficou mais anos do que o suposto no poder -, os senadores abertamente decidem elegê-lo como imperador, mudando o sistema governamental para um Império. E, dessa forma, “então é assim que a democracia morre, com um estrondoso aplauso”. Esta parte política de Star Wars não é tão bem recebida pelo público, principalmente após os Episódios I e II terem saturado em demasia essa abordagem. Porém, eu acho que para uma saga onde tem “guerras” (wars) no nome, a politicagem é uma parte fundamental da história, tanto para nos fazer pensar sobre o que é exatamente certo, quanto para nos fazer criticar o nosso mundo e o que está a acontecer.
Outros aspetos positivos para se considerar sobre este filme são a coreografia e os duelos, os melhores já feitos, no qual existe muito dinamismo e emoção. A história é fechada, com início, meio e fim, sem estragar a obra original lançada nos anos 70, mas sim a completar a mesma. A atuação não é perfeita, mas também não peca e é convincente, há ótimos atores em tela na maior parte do tempo que suportam o filme. A mistura de romance, drama, suspense, ação e comédia é bem dosada e não há exageros. A cinematografia, edição, maquilhagem, cenários, vestimentas, som e efeitos visuais são bem realizados e, no geral, satisfatórios. Ademais, os diálogos do filme são memoráveis e marcantes, possuindo diversas falas que ficaram marcadas na história do cinema.
Porém, não creio que este filme será o melhor para todos. Em primeiro lugar, eu diria que este filme não é independente, ou seja, vê-lo sem saber mais sobre o universo pode ser difícil, mas não impossível, além de que não terá o mesmo impacto, já que somente quem viu os outros filmes entenderá complemente toda a situação. O filme também não trará a todos a experiência completa, pois é preciso ter visto também outras mídias, como séries e filmes, para estar a par de tudo. E, por fim, sei que ficção científica não é o género mais amado do mundo e as pessoas que não gostam deste estilo, provavelmente não gostarão do filme.
Mas, independentemente destes aspetos, o filme consegue transmitir a mensagem que quer passar através de um modo visual esplêndido, já podendo ser considerado um clássico dos anos 2000.