The Matrix (1999)

The Matrix

Lilly e Lana Wachowski · 1999

Crítica de

Review exclusiva do site, publicada em Maio de 2026

“The Matrix” de 1999 é uma das histórias distópicas mais conhecidas a nível mundial, tendo sido mal interpretada em diversos sentidos. Há 27 anos, Lana e Lilly Wachowski narraram a vida do programador Thomas Anderson (Keanu Reeves) que possui uma vida dupla onde é conhecido por Neo e então descobre que é, assim como outras pessoas, vítima do Matrix, um sistema inteligente e artificial que manipula a mente das pessoas, criando a ilusão de um mundo real enquanto usa os cérebros e corpos dos indivíduos para produzir energia. Morpheus (Laurence Fishburne), entretanto, está convencido de que Thomas é o aguardado messias capaz de enfrentar o Matrix e conduzir as pessoas de volta à realidade e à liberdade, dando-lhe a afamada escolha da pílula azul, ou seja, esquecer aquele momento e voltar à realidade, ou da pílula vermelha que lhe permite conhecer a verdade sobre o mundo que o rodeia e enfrentá-lo. 

Este filme torna-se então relevante pela sua narrativa que permite ao espectador criar uma relação com a experiência real que ele possui, fazendo-o acreditar que consegue alterar o mundo à sua volta. Em teoria, este conceito é bom, uma vez que é a mesma ideia da obra transmitida pelo “oráculo”. Ou seja, que a grandeza do protagonista está nas suas ações e não porque ele está determinado para tal. Assim, o telespectador pode mudar o mundo pelas suas próprias mãos. Porém, não considero que seja uma boa alternativa, devido à ausência de interpretação das diferentes gerações, conduzindo a práticas criticadas como conspirações, misóginas e extremismos políticos. Atualmente, num mundo mais digitalizado, temos o exemplo dos “Red pills” que é um nome alusivo à obra aqui sintetizada onde eles celebram a sua separação do mundo que os rodeia. E, assim como “Neo” , acordam aproximando-se ainda mais dos valores da sociedade. Contudo, admito que isto não é culpa do filme e ele continua a ser uma grande obra de arte.

Por outro lado, uma coisa que mais me fascina neste filme e que se opõe à proposta da mensagem do protagonista escolhido “Neo” é o personagem interpretado por Joe Pantoliano, o “Cypher”. Ele tem noção da realidade que o rodeia mas, mesmo assim, decide ignorá-la para ter uma melhor vida e um sentido de conforto maior. No fundo, nós, seres humanos, temos noção do mal que nos rodeia e não fazemos nada sobre isso. Atitude esta que é um reflexo da nossa sociedade atual.

Em continuação com o ponto que fiz anteriormente, a escolha das músicas para a banda sonora foi, para mim,  uma das partes mais interessantes do filme. Não só porque trouxe à tona alguns dos meus artistas favoritos, mas também porque essas músicas são uma continuação da mensagem que as diretoras Wachowski querem passar. A ideia de lutarmos por aquilo em que acreditamos na realidade sai fora do papel. Consideremos a música dos pós-créditos “Wake Up” dos Rage Against the Machine, que é um grito de alerta contra o racismo sistémico, a brutalidade policial e a manipulação governamental nos EUA.

Um comentário que eu gostava de adicionar é em relação ao estilo de combate utilizado. É claro que a decisão pode ter sido de gosto pessoal, mas prefiro pensar que o estilo de artes marciais se assemelha muito aos videojogos como “Mortal Kombat”, refletindo o caráter de se viver na simulação e utilizar isso a seu favor.

Por todos estes motivos que listei anteriormente e outros pontos relevantes do presente filme que escolhi, é de realçar a importância de demonstrar o descontentamento em momentos difíceis. Por mais que isto seja ficção científica, as inteligências artificiais tornam-se cada vez mais normalizadas e o seu uso deve ser sempre questionado em uníssono com outros assuntos presentes. Os filmes, assim como outras artes, são uma forma de expressão e devem ser analisadas e retidas para a vida de cada um. Por estas razões, acho “The Matrix” um filme extraordinário e digno de ser visto pelos leitores.