Tudo Bem No Natal Que Vem

Tudo Bem No Natal Que Vem

Roberto Santucci · 2020

Crítica de

Review exclusiva do site, publicada em Dezembro de 2025

Eu acho que nós já estamos tão acostumados a ver o Natal norte-americano nos filmes e séries que até nos esquecemos que não é bem assim para nós. Grande parte já nem começa a comemorar sequer o Natal no dia 25, mas sim no 24. Não costumamos ter neve ou um peru de Natal, mas sim uma grande e calorosa mesa com a família e amigos ao redor. E foi exatamente essa a sensação que o filme me passou.

Jorge (Leandro Hassum) é um pai de família no Brasil que precisa sobreviver ao dia que mais odeia no ano… a Véspera de Natal. Porém, após um acidente, Jorge começa a perder a memória de todos os anos, lembrando apenas dos dias 24 de dezembro, tendo que lidar com um “outro Jorge” que vive o restante dos dias por ele.

A princípio, temos a oportunidade de ver como é um Natal “tradicional” pela perspetiva do protagonista e entender um pouco mais quem ele de facto é e porque é assim. Mas, a partir do momento de mudança de chave, a tensão do filme muda. A comédia continua presente ao longo de toda obra, como era de se esperar de um filme deste género, mas um drama e até pânico começam a surgir. Afinal, como ele pode consertar um ano inteiro de decisões ruins num único dia? E o que ele pode fazer para sair deste loop? Confesso que ambas as respostas destas perguntas me decepcionam.

O enredo do filme é definitivamente um dos principais fatores negativos. Apesar de ter uma boa premissa, ele não se aprofunda no tema e nem tenta buscar explicações. Os conflitos são magicamente solucionados e não convencem. Acima de tudo isto, eles ainda inserem um drama nos últimos 20 minutos, na tentativa de buscar um sentimentalismo final.

Agora, quanto ao aspecto mais importante do filme, a comédia, ela é razoável. Claro que nem todas as piadas funcionam e o humor não é perfeito, mas tem os seus bons momentos. E o Leandro Hassum a carrega totalmente sozinho nas costas, como já se era de esperar.

No entanto, apesar de todas estas falhas, eu acredito que o filme cumpra o seu papel. É definitivamente um filme que não se leva a sério, mas que busca entreter ao mesmo tempo em que tenta passar uma mensagem real. A conclusão com a frase: “a vida é um sopro” define a mensagem do longa e traz uma breve reflexão aos espectadores. Porque o Natal pode ser só mais um de 365 (ou 366) dias do ano, mas cada Natal é um só, e nem sempre teremos tantos Natais pela frente…