Portugal é considerado o 6º país do mundo com maior percentagem de empreendedorismo feminino, mas esta ideia de progresso e igualdade não passa de uma ilusão.

Anualmente, no dia 19 de novembro, assinala-se o Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino, cujo objetivo é celebrar as conquistas das mulheres na área dos negócios. Segundo o relatório Mastercard Index of Women Entrepreneurs, publicado em março de 2022, Portugal ocupa o 6º lugar no mundo por percentagem de mulheres empresárias, e esta presença também se revela na FEP, já que, em dezembro de 2023, de 3 265 estudantes inscritos, 55% eram mulheres.

Contudo, esta data também existe para realçar os obstáculos atuais, porque, na realidade, apesar de Portugal surgir neste 6º lugar mundial, é simultaneamente um dos países da OCDE com a maior disparidade de género no tempo dedicado ao trabalho doméstico e de cuidado não remunerado.Mas o quão maus podem ser estes valores?

Segundo o INUT de 2015/2016, numa semana, as mulheres dedicam entre 3 a 4 horas por dia a mais do que os homens no tempo dedicado ao trabalho doméstico e de cuidado não remunerado. Além disso, no mesmo ano, a Eurostat concluiu que, enquanto as mulheres têm uma probabilidade de cozinhar e/ou fazer tarefas domésticas todos os dias de 78%, enquanto que, esta probabilidade para os homens é de 19%. Estes valores não são meramente “estatísticas”, já que afetam a progressão de carreira destas pessoas. A prova disso é que, embora as mulheres sejam maioria no ensino superior em Portugal, o número delas diminui drasticamente à medida que se avança na hierarquia.

Quando refletimos acerca destes valores, perguntamo-nos: Como é que Portugal atingiu este 6º lugar? Este destaque mundial parece de facto impressionante, mas, na realidade, corresponde a 32%, ou seja, em Portugal, de 100 empresários apenas 32 são mulheres…

Como é que o progresso que parecia ser “incrível” não passou nem perto dos 50%?