Homem-Aranha: Um Novo Dia

Spider-Man : Brand New Day

Destin Daniel Cretton · 2026

Crítica de

Review exclusiva do site, publicada em Setembro de 2026

A Marvel retorna mais uma vez às grandes telas e, novamente, quebra recordes inacreditáveis. O lançamento do mais novo filme do Homem-Aranha já chegou à marca de terceira maior bilheteria mundial da história do cinema, estando apenas atrás de Avatar e Avengers: Endgame. Mas será que essa fama toda foi realmente merecida? Espero que a resposta seja encontrada nessa review

“ sem spoilers.”

Depois de ser totalmente apagado das lembranças de todos, Peter Parker (Tom Holland) vive a sua vida a tempo integral como o Homem-Aranha no combate contra o crime. Mas essa tensão constante acaba por o esgotar e, enquanto precisa lidar com um novo vilão sem rosto, ele ainda precisa encontrar a si mesmo no meio deste caos.

Confesso que eu fui assistir a este filme com baixas expectativas, não sei se por causa do histórico dos últimos filmes ou pela saturação do ator ultimamente nos cinemas, mas admito que fui positivamente surpreendido e ainda bem. Homem-Aranha: Um Novo Dia é exatamente aquilo que se propõe a nos apresentar, “um novo dia”. É um recomeço. Uma mudança de ares. É exatamente aquilo que os fãs já queriam há muito tempo, um homem-aranha comum com problemas de pessoas comuns (apesar de não haver nada de comum nisto).

O filme é, em nível técnico, um dos melhores já produzidos pela Marvel. Desde a cinematografia, à coreografia, ao som, é tudo muito bem realizado, sendo, para mim, um dos maiores destaques do filme. Quanto à história… talvez não haja tantos elogios. O enredo não é ruim, não me entendam mal, mas tem demasiadas falhas e simplicidades que o tornam básico. No entanto, o que realmente foi bem trabalhado desta vez foram os personagens. Acho que todos eles encontram muito bem o seu propósito e funcionam tanto individualmente quanto coletivamente. O Peter precisa equilibrar os seus interesses pessoais com as responsabilidades de herói, o Frank funciona como um espelho para o protagonista daquilo que ele pode vir a se tornar, o antagonista consegue ser cruel, assustador e empático ao mesmo tempo e os demais personagens têm os seus momentos para brilhar com uma boa distribuição de tempo.

Se ainda restavam dúvidas de que o Tom Holland era uma boa escolha para o papel, eu escolho acreditar que elas foram eliminadas. Claro que ele ainda não será a escolha principal para todos (nem para mim), mas é inegável que ele é o Peter Parker agora.

O filme também cria muitos debates com diversos conceitos interessantes e conflituosos, que podem gerar perguntas como: “Até onde se pode ir antes de cruzar uma linha da qual não terá mais volta?”, “É possível mudar a índole de uma pessoa?”, “Quem sou eu? A minha função ou o meu coração?”.

Mas, mesmo sendo um filme muito profundo em alguns temas, não deixa de ter a essência cómica (e épica) do herói da vizinhança, sabendo muito bem misturar o entretenimento com o entendimento. No fim, apesar de simplório em certos aspetos, o filme agrada e convence, sendo uma ótima continuação na história do herói mais amado dos cinemas.