Opinião de Carolina Góis
Artigo exclusivo do site, publicado em Abril de 2026
“Medicina, lei, negócios e engenharia são ocupações nobres… Mas, poesia, beleza, romance e amor são razões para ficar vivo.” – John Keating, “Clube dos Poetas Mortos”
Desde que o Homem existe, a arte existe. Pondera-se o que torna o ser humano tão diferente dos restantes seres vivos: será a fala? O pensamento? As emoções? Não diria tal coisa, pois neste momento sabemos que uma miríade de animais tem algumas destas características. Do meu ponto de vista, o que temos verdadeiramente de especial é a Arte: “Não lemos e escrevemos poesia porque é bonito. Lemos e escrevemos poesia porque somos membros da raça humana… cheia de paixão.” (John Keating – “Clube dos Poetas Mortos”)
Atualmente, grande parte dos nossos hobbies e atividades incluem arte: ouvir música, desenhar, ler, dançar, a própria roupa que usamos. Mas porque nos rodeamos de tanta beleza ou emoção, quando “é coisa de desempregado”?
A Arte deixou de ser vista como o processo ou criação de algo repleto de emoção, passou a ser apenas mais um produto, mais um ativo. É irónico diria: avaliamos algo monetariamente quando nem sequer o conseguimos definir. Muitas teorias tentam definir a Arte como a expressão de emoção ou a representação de algo. Ainda assim, não a conseguimos definir por completo.
“É irónico diria: avaliamos algo monetariamente quando nem sequer o conseguimos definir. “
E, apesar de ser “consumida” quotidianamente, ter uma carreira full time como artista não é viável. A Arte ajuda a desenvolver o pensamento crítico, a inteligência emocional e a criatividade, além de dar mais vida ao mundo.
Contudo, a sociedade atual prefere que um robô roube o artista (porque a IA não cria, apenas utiliza o existente e faz algumas modificações sendo exemplo disso a trend do estúdio Ghibli), do que propriamente aprender a fazer ou contratar alguém.
Dito isto, o que nos distingue? Será realmente a arte? Se pouca gente é artista e quem o é, é visto como um “sem futuro” ou alguém que desperdiça o seu “potencial”, o que nos separa dos outros animais, de outros recursos? Talvez nada…
O capitalismo, o desejo de ter e produzir cada vez mais, está a tirar o sentido de viver. Achamo-nos superiores a robôs e animais, mas, neste momento, seremos tão diferentes? Grande parte da sociedade sobrevive: trabalhamos, comemos e dormimos. As casas e mobília perderam a personalidade e a cor. As roupas tornaram-se iguais. Nós tornamo-nos iguais. A individualidade está por trás de uma tendência e a criatividade de cada um depende do Pinterest.
” Achamo-nos superiores a robôs e animais, mas, neste momento, seremos tão diferentes?”
Dito isto, queria relembrar que dia 15 de abril celebra-se o ativo mais importante da humanidade, a Arte: e tu por quanto a avalias?
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