O Que Fazemos nas Sombras

What we do in the shadows

Taika Waititi; Jemaine Cllement. · 2014

Crítica de

Review exclusiva do site, publicada em Junho de 2026

“i go for a look which i call dead but delicious”

 

Viago (Taika Waititi), Deacon (Jonathan Brugh), Vladislav (Jemaine Clement) e Petyr (Ben Fransham) são quatro colegas de casa a viver em Wellington, Nova Zelândia, e são também os protagonistas deste falso documentário realizado e escrito por Taika Waititi e Jemaine Cllement.

A particularidade deste grupo de amigos reside no facto de serem todos vampiros do século passado, que tentam viver uma vida o mais normal possível para passar despercebidos. O peculiar é que, como cada um de nós, eles têm de pagar as contas da casa e fazer as tarefas domésticas, lidando até com conflitos naturais de quem divide uma casa, como escolher quem lava os pratos, ou o cuidado para não estragar os móveis com o sangue das suas vítimas…talvez esta última não seja tanto um problema para todos nós.

Uma vez que são imortais, estão em constante esforço de adaptação aos tempos, convenções sociais, modas ou tendências da época. No entanto, logo nos deparamos com a forma desajustada com que encaram o mundo contemporâneo, desde as suas roupas desatualizadas até aos seus maneirismos ultrapassados.

What we do in the shadows foge em tudo à imagem convencional do vampiro solitário e cria a perfeita caricatura de algumas das figuras mais conhecidas deste subgénero: Petyr como uma homenagem a Conde Orlok do filme clássico Nosferatu; Vladislav do Conde Drácula de Bram Stoker, pelo visual e estilo de sedução; Deacon inspirado no Conde Drácula de Bela Lugosi; e Viago inspirado na elegância romântica de Louis de Pointe du Lac do filme Interview with the Vampire.

Mais tarde junta-se a eles Nick (Cori Gonzalez-Macuer), um vampiro recém transformado que satiriza Edward Cullen da saga Twilight. Nick tem a oportunidade de aprender com eles as vantagens desta nova vida, enquanto os ensina sobre a atualidade, mas quem acaba por aquecer os corações gélidos deste grupo é o seu amigo Stu (Stuart Rutherford), um humano que rouba a cena pela sua banalidade. Contudo, foi só na estreia que Stuart Rutherford descobriu que afinal não era só o “IT guy” do set, mas sim uma importante peça para este enredo, uma vez que ambos os diretores fizeram questão de esconder esse facto para que o seu amigo agisse da forma mais natural possível.

Devido a um orçamento significativamente reduzido, em certos aspetos observa-se uma falta de mestria técnica, que é completamente compensada pela plena consciência do momento certo para agir e dar destaque a estas personagens carismáticas. Por último, é sem dúvida uma comédia genial que usa este formato de mockumentary absolutamente a seu favor.

Finalmente, entre excentricidades e atitudes desequilibradas, vemos estas criaturas, convencionalmente associadas ao terror, dar vida a uma história leve e sobretudo hilariante que não deixará ninguém indiferente.