Rango
Rango
Gore Verbinski · 2011
Crítica de Gonçalo Ferrinho
Review exclusiva do site, publicada em Agosto de 2026
Rango, realizado por Gore Verbinski, encontra-se no género de filmes de animação que incomoda todos os outros do mesmo grupo. Escolhe a animação por uma questão de inovação visual, mascarando uma mescla de mensagens subtis para graúdos, com um emblemático cavalo de Tróia identitário “simples” para “putos”.
Estabelecido no Velho Oeste, acompanhamos Rango, um camaleão solitário, incapaz de descobrir o seu verdadeiro eu, atirado para a brutalidade da vida “cowboiana” da terra da “Poeira”. Aqui, Rango percebe que ninguém pode fugir da sua própria história, abraçando as suas falhas, concluindo que, para poder ser alguém, é preciso ter alguém.
O diálogo, juntamente com a complexidade visual do filme, revelam-se como os grandes diferenciadores desta obra-prima. As piadas malandras que, sem pretensão , captam a atenção do espectador mais reticente ao possível nível de infantilidade, agregam valor ao apelo do filme que, sendo de animação, é subvalorizado na beleza da sétima arte. A complementar a tudo isto, o filme, assume corajosamente um ambiente de “western clássico”. Rango escolhe exibir os seus personagens até ao maior nível de detalhe, demonstrando um nível artístico notável para a época. As texturas da pele dos lagartos, a poeira e a luz do deserto levam o espectador a admirar o seu brilhantismo, fascinando-se pelas exímias particularidades dos seus habitantes.
Como filme predileto da minha era mais juvenil, temo sempre a fatídica nostalgia que, porventura, poderá deixar turva a minha memória – e o insucesso de box office corroboria isso. No entanto, à medida que o filme continua afastado da ribalta, permite que a sua visualização se mantenha única. Preservar a singularidade da obra é peça chave para que algo tão bonito não se torne banal, mantendo-se firme na sua magnificência, desbravando o mato da criatividade e inspirando quem possa reerguer este género de “navios encalhados“.
A durabilidade da mensagem não se mede pelas métricas banais, demonstrando-se apenas eficaz quando amplifica (ou danifica) algo em nós. Rango foi, e sempre será, o meu filme favorito, porque, para além de ensinar a como se ter estilo (particularmente eficaz no meu caso), dá uma pequena esperança a quem sabe que não sabe o que é.