Opinião de Mariana Loureiro
Artigo exclusivo do site, publicado em Junho de 2025
Minha língua portuguesa, minha flor de verde pinho!
É para ti, que dás a voz a mais de 250 milhões de pessoas, que escrevo hoje.
Tu que és a língua da saudade, do mar, da serra, dos pinhais e das caravelas, que me envolves e inspiras com a melodia da tua incomparável fonética.
Acompanhas os meus passos pela calçada e pelos jardins floridos com essa tua “presença serena que a tormenta amansa”.
És marcada pela diversidade, pelas cicatrizes do passado e pela história de quatro continentes, que se alastrou a todos os restantes e, por isso, somente tu és capaz de expressar a alma de quem cresceu a soletrar as tuas palavras, a cantar os teus sentimentos e a usar aquelas expressões intraduzíveis, que mais ninguém conseguirá compreender completamente. Porque falar português não é só saber uma língua, é uma combinação de experiências, sensações e emoções.
Ensinaste-me que “a saudade torna tudo mais bonito” e é a tua sonoridade única que procuro e que me delicia quando ouço uma música em português.
Enfeitiçam-me as vozes de Anavitória e António Variações, cativam-me os versos de Luís de Camões e Fernando Pessoa e encantam-me as linhas de José Saramago e Sophia de Mello Breyner Andresen.
Encontro-te ao caminhar debaixo de sóis e de luas e enches-me de uma vontade de ir, de ser e de sentir muito mais. Aquela vontade inabalável de fazer mais e melhor, de ter coragem e seguir em frente, ultrapassando todos os Adamastores.
E assim termino esta carta, com sede de criar novas memórias, de sentir uma vez mais o calor do sol e os pingos de chuva na face, de saborear aquele vento que vem diretamente do mar, de enterrar os pés na areia, de rir, de ler e de conversar até de madrugada. No fundo, dominada por um desejo de me perder numa “aventura dos sentidos”.
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