Opinião de Martim Pereira
Também incluído no FEPIANO 64, publicado em Fevereiro de 2026
As superpotências mundiais têm vindo a usar a degradação da camada de ozono, não só como um meio para um enriquecimento exorbitante, mas, de forma ainda mais perturbadora, como um fim. No continente Ártico, o degelo faz emergir pedras preciosas que vão enrobustecer as reservas das superpotências, que o querem senhorear.
Com o recente conspurcar dos Estados Unidos, é possível dizer que todos os países coatores da nova ordem mundial são, em certa medida, autocráticos. Para além do vértice de coação internacional, o vértice de coação intranacional desses mesmos países é também ele unilateral, seja quanto ao poder institucional, legislador, como o poder de influência oligárquico. Estando, portanto, os recursos muito mal distribuídos. Podemos dizer então que, em alguns dos países mais populosos do globo, são tomadas medidas macroeconómicas explicitamente nocivas ao meio ambiente, elaboradas por alguns e para o proveito de outros quantos.
Num país onde a comunicação social ainda mantém alguma independência (por mais que por vezes seja alvo de ameaças) como os Estados Unidos, estas medidas ainda necessitam de ser vendidas ao público. Mas, para o presidente Trump, tratou-se mais de mau marketing dos seus opositores do que de mérito próprio. É uma situação até bastante análoga a um episódio vivido onde a terra se acaba e o mar começa. O grupo Climáximo falhou em comunicar a sua mensagem, não conseguiu que o público lhes concedesse um lugar à mesa, mas, pior do que isso, tentou tomá-lo à força (ou pelo menos ao equivalente de um ativista climático de força) revoltando agora o público antes alienado, e criando nele a ideia de que a sua sensibilidade não passa de sinalização de virtude. No paradigma atual, os sensíveis e informados estão mais preocupados em serem ouvidos do que em serem escutados. Nestes moldes, é fácil para os teoristas da simplicidade ganharem a simpatia das pessoas.
Pensando agora numa conversa sobre sustentabilidade em concreto, não a do meio ambiente, mas a do corpo humano. Em agosto do ano passado, Xi-Jinping e Vladimir Putin foram apanhados em câmara a discutir a possibilidade de virem a alcançar a imortalidade, por via de progressos na biotecnologia. Progressos esses que provavelmente almejam alcançar com todos os recursos que drenam do planeta terra, e que convertem em fortunas pessoais. É engraçado ver dois dos maiores flageladores do planeta terra a comprometerem a sua sustentabilidade e capacidade de renovação em troca de uma maior conservação dos seus corpos, que, por mais recursos que detenham, continuam em degradação constante. Batem no meio ambiente como se inveja dele tivessem, ou da capacidade de conservação que teria, não fosse a mão humana.

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