A Pré-História é a etapa mais longa da História da Humanidade. Acompanhou o surgimento e evolução dos primeiros hominídeos, bem como a forma como se foram adaptando ao seu ambiente, dominando o fogo e construindo ferramentas para a caça e para a sua própria proteção e segurança. Foi neste período que começaram a domesticar animais e a cultivar alimentos. A cultura pré-histórica era transmitida oralmente, já que a escrita ainda não tinha sido inventada.

O surgimento da escrita é precisamente o acontecimento que marca o fim da Pré-História. Esta separação tem origem na noção do século XIX de que a História só poderia ser feita através de documentos escritos. Este conceito integra o movimento do historicismo positivista, que elimina a subjetividade e a aplica o método científico à História, ao mesmo tempo que defende que esta deve ser escrita tal como realmente aconteceu, através de uma única perspetiva, considerada a “verdade absoluta”. 

Tendo isto em mente, gostava de mencionar a influência da Era Vitoriana na forma em que ainda hoje olhamos para alguns acontecimentos históricos. A Era Vitoriana estendeu-se desde junho de 1837 até janeiro de 1901, ao longo de todo o reinado da rainha Vitória, no Reino Unido. Foi uma Era importante em várias áreas, principalmente no espetro económico e político com o desenvolvimento da indústria até ao seu auge e a consolidação do Império Britânico. Mas, para além disso, foi uma era de descobertas, estudos e investigações que deram uma nova importância à História, afetando a vida em todas as esferas da sociedade. A explosão de novas informações levou a uma reinterpretação de várias épocas da História Pré-vitoriana, afetando até hoje a nossa visão delas. Por exemplo, a Grécia e Roma Antigas eram muito estimadas como berços da democracia e da civilização, mas apenas vistas através de uma lente imperial e baseada na hierarquia entre classes sociais. Da mesma forma, a Idade Média foi romantizada e enquadrada como uma era utópica de patriotismo, prosperidade e simplicidade, ignorando a violência e crueldade da mesma época.

“A explosão de novas informações levou a uma reinterpretação de várias épocas da História”

Entretanto, e voltando ao tema da Pré-História, aquilo que conhecemos resulta de estudos arqueológicos e paleontológicos, que analisam ferramentas, restos mortais, arte rupestre e monumentos megalíticos. Assim, e sabendo da volatilidade dos documentos que chegaram aos dias de hoje, é possível dizer que a História não é apenas aquilo que realmente aconteceu, mas um conjunto de perspetivas acerca do passado. A História influencia a nossa forma de viver e de agir todos os dias através de tradições, conceitos e conhecimentos transportados desde o início da Humanidade, que nos foram transmitidos tanto oralmente como através de documentos escritos, mas todos com uma quota-parte de subjetivismo. Por este motivo, a importância de pensar criticamente, sem aceitar uma única verdade universal, analisando diferentes pontos de vista, é essencial para navegar o mundo atual, naturalmente multifacetado, mas cada vez mais propenso à escolha do caminho simples e confortável, mais fácil de compreender e pouco questionado.