A preocupação crescente com o esgotamento dos recursos não renováveis e o perigo iminente das alterações climáticas, fizeram com que áreas como a biomimética surgissem como um campo de estudo inovador, promovendo a utilização de processos e materiais que minimizam o impacto ambiental, adaptando-se às necessidades da sociedade atual.

A biomimética é uma área interdisciplinar que estuda a natureza e a evolução do meio ambiente, utilizando-a como fonte de inspiração e criatividade para desenvolver estratégias que resolvam as dificuldades da humanidade, conectando a eficiência, a estética e a inovação à sustentabilidade. Tal como o nome sugere (“bio”- vida, “mimesis” – imitação), a biomimética vê a natureza como um molde, com a intenção de reproduzir o seu funcionamento, seguindo a ideia de que muitos dos problemas do ser humano já foram enfrentados por esta.  Distingue-se da biologia sintética por não se apropriar ou redesenhar sistemas biológicos, consultando-os apenas e aprendendo com a natureza e os seus métodos.

Um dos objetos mais conhecidos, mostrando a relevância desta área, é o velcro, criado por Georges De Mestral no século XX. A sua inspiração foram as sementes de bardana que, para se espalharem da forma mais eficaz, aderem ao pelo dos animais. Ao observar, no que seria um dia normal de caça, estas sementes a aderirem ao pelo do seu cão, decidiu investigá-las e, assim, imitar o seu funcionamento. 

Opondo-se à economia linear, baseada na extração de recursos naturais, produção de bens, consumo dos mesmos e posterior descarte, surge a economia circular. Este modelo promove a reutilização, a reciclagem e a recuperação dos materiais, aumentando a vida útil dos produtos e minimizando os resíduos gerados, sendo por isso mais sustentável e contribuindo para evitar o esgotamento de recursos não renováveis.

Sendo a própria natureza um sistema cíclico, a biomimética surge como uma aliada da economia circular, apoiada pela transição para fontes de energia renovável, promovendo também o crescimento económico. A título de exemplo, no Zimbabwe, cientistas construíram edifícios com a função de se auto-arrefecer, baseados nos sistemas de refrigeração naturais das termiteiras, com o objetivo de reduzir custos e o consumo de energia no processo de refrigeração.

Num mundo onde a sustentabilidade se tornou um dos tópicos de maior preocupação, utilizar a criatividade e inovação com a finalidade de promover um desenvolvimento nesse sentido é uma ótima oportunidade de crescimento económico. Áreas como a biomimética, que seguem princípios sustentáveis, podem tornar-se centrais em várias indústrias, no desenvolvimento de novas tecnologias e métodos de investigação. Reconhecer o seu potencial é um passo em direção à conscientização ambiental e à adaptação aos desafios da sociedade moderna.

“Áreas como a biomimética, que seguem princípios sustentáveis, podem tornar-se centrais em várias indústrias”