A fase dos early twenties é frequentemente descrita como a melhor fase da nossa vida, repleta de descoberta, liberdade e inúmeras possibilidades. Contudo, por detrás dessa imagem leve, existe uma pressão silenciosa. Não é explícita como a dos exames nacionais ou regras que nos são estabelecidas, mas sim algo subtil: uma sensação de que já deveríamos saber quem somos e o que queremos fazer.

A nossa geração cresceu a ouvir que teríamos mais oportunidades do que qualquer outra até então. Estudar, viajar, construir uma carreira pela qual somos apaixonados, tudo isto, para além de ser possível, seria o esperado. No entanto, a realidade mudou. Um diploma já não garante um emprego estável, sair de casa dos pais tornou-se mais difícil, mas a pressão? Essa continua lá, a garantir que não nos esquecemos da idade que temos e do que já deveríamos ter decidido quanto ao nosso futuro.

Esta pressão surge da constante comparação: com colegas que parecem ter tudo alinhado, até mesmo com pessoas aleatórias nas redes sociais que exibem desde o seu sucesso, às suas viagens e relacionamentos perfeitos. Mesmo sabendo que o conteúdo online é apenas uma parte da vida dos criadores, torna-se difícil não sentir que existe um ritmo que é suposto acompanharmos.

Paradoxalmente, pertencemos à geração com maior liberdade de escolha e com maior ansiedade perante a mesma. Cada caminho não seguido parece uma oportunidade perdida, sentindo constantemente a necessidade de otimizar a nossa vida. Em vez de nos permitirmos viver o presente, vivemos preocupados com a futura versão de nós próprios.

Paradoxalmente, pertencemos à geração com maior liberdade de escolha e com maior ansiedade perante a mesma. Cada caminho não seguido parece uma oportunidade perdida, sentindo constantemente a necessidade de otimizar a nossa vida. Em vez de nos permitirmos viver o presente, vivemos preocupados com a futura versão de nós próprios.

O mais engraçado é que esta angústia raramente é partilhada. Tentamos manter as conversas com os amigos leves, enquanto as dúvidas permanecem acumuladas e sem esclarecimento. Parece existir um esforço coletivo para se parecer seguro, numa idade onde a incerteza é tão normal. Os vinte e poucos anos tornam-se numa fase em que todos procuram estabilidade enquanto fingem não o fazer.

Talvez o verdadeiro desafio desta etapa não seja encontrarmos o caminho que queremos traçar rapidamente, mas aceitar que é normal não o termos decidido e que, caso o tenhamos, teremos liberdade de o mudar. Reconhecer a dúvida não é um sinal de fraqueza, mas sim uma prova de consciência sobre a complexidade do mundo em que vivemos.