Opinião de Carolina Góis
Artigo exclusivo do site, publicado em Dezembro de 2025
As festividades chegaram, trazendo consigo férias e momentos em família. Contudo, para estudantes universitários, estas festas também se traduzem numa proximidade cada vez maior com a época de exames.
Com a entrada na vida académica tudo parece andar a mil: demasiada matéria, demasiados workshops, demasiadas festas, demasiadas coisas para fazer. Porque, se não fizermos o máximo, parece que não fizemos o suficiente. E, agora que a época de exames se aproxima, essa sensação é cada vez maior.
Isto não se aplica apenas à universidade, mesmo no dia a dia esta aceleração e obsessão com a produtividade estão cada vez mais presentes, principalmente devido às expectativas exageradas, não só do mercado de trabalho, como também da educação. Tal acaba por afetar o nosso quotidiano em coisas simples, como apanhar transportes públicos, onde, mesmo que as pessoas não estejam atrasadas, correm para apanhar aquele metro e não o seguinte, que passa em cinco minutos.
Obviamente, querer apanhar o primeiro metro não nos vai prejudicar, mas levar esta filosofia de “fazer tudo para ontem” e de sentir que o máximo não é o suficiente tem repercussões. Prova disso é que 66% dos europeus já experimentaram um burnout, sentiram-se à beira dele ou relataram sentimentos associados ao mesmo.
Um dos países que já tem perceção da gravidade da situação é o Japão. Existe uma metodologia educativa de uso corrente no sistema escolar japonês que consiste em não se realizarem avaliações formais até que as crianças tenham dez anos, com o objetivo de adiar a pressão avaliativa até que exista maturidade emocional suficiente. Tal reflete-se não só na redução da ansiedade precoce e no fortalecimento da convivência escolar, como também na mudança de perspetiva destes alunos, que deixam de encarar a sua performance em avaliações como uma definição do seu valor.
Em contraste, tanto na vida académica como na laboral, parecemos ter esquecido que o cérebro humano, principalmente de crianças e jovens, tem limites biológicos e emocionais. Se até sistemas exigentes reconhecem que a pressão precoce cobra um preço alto, talvez o problema não seja estarmos a fazer pouco, mas estarmos a exigir demais, cedo demais e depressa demais.
“talvez o problema não seja estarmos a fazer pouco, mas estarmos a exigir demais, cedo demais e depressa demais”
Assim, desacelerar não deve ser um luxo, mas sim uma necessidade. Aprender quando parar pode ser o ato mais produtivo de todos.
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