Como jovens passamos os dias a pensar no futuro: “O que será que vamos fazer quando entrarmos no mercado de trabalho?”. Alguns de nós, já lá dentro, refletem sobre se o que estão a fazer agora será o que farão pelo resto da vida. Alguns estão satisfeitos, mas os outros… a nossa cabeça não para de pensar: “Será que é boa ideia continuar em Portugal? Há tantas oportunidades no estrangeiro…”. 

Segundo um estudo da BCG, realizado em agosto de 2025, a percentagem de jovens entre os 18 e os 24 anos que admite vir a emigrar aumentou dos 64% em 2024 para os 73%. Os jovens olham para o país e sentem que se continuarem aqui estão condenados à estagnação.

Olhamos para Portugal e vemos remunerações baixas, um Serviço Nacional de Saúde ineficiente, um mercado da habitação inacessível e uma proposta de um novo pacote laboral que só parece retirar-nos condições. E quando desviamos o olhar para outros países deparamo-nos com salários brutos mais altos, mas não se resume só a isso. 

De acordo com um estudo da Federação Académica do Porto (FAP), “A emigração de jovens portugueses qualificados: Determinantes e Impactos” , realizado a partir das perspetivas e motivações de estudantes da Academia do Porto quanto à possibilidade de emigrar, para além das remunerações, fatores como menores impostos sobre os salários, melhores perspetivas de obtenção de um emprego e de progressão na carreira, bem como um melhor acesso à habitação e melhores condições de vida e de trabalho são determinantes para a decisão de emigrar. Destas, e invocando o estudo da BCG, gostaria de destacar o respeito pelo equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal, tal como a flexibilidade horária, elementos que, ao momento da escrita deste artigo (dezembro 2025), parecem ter sido esquecidos pelo Governo na sua proposta de um novo pacote laboral.

“Será que é boa ideia continuar em Portugal?”

Mas então, se o estrangeiro é assim tão bom, o que mantém os portugueses cá? Eu diria que é o que nos está no sangue, apenas e só a saudade. Quando penso em todos os emigrantes, os que vêm a Portugal só nas férias, ou naqueles que já estiveram lá fora e entretanto voltaram à Terra Lusitana, vem-me à mente a saudade. Sei que muitos jovens ainda não partiram por saber que vão estar longe da família e amigos, sem os ver por meses, e sem saber se os voltarão a ver. 

Não foi por acaso que não mencionei acima que, no estudo da FAP, alguns dos fatores que influenciam a decisão de emigrar são, precisamente, a distância do destino de emigração, a dimensão da comunidade portuguesa no destino e a proximidade linguística. Tudo isto parece corroborar o que sinto à minha volta e que expressei no parágrafo anterior.

Mas afinal, que futuro terá Portugal, se a única forma de reter o próprio talento é a saudade?