Sofia Condez Alves
Artigo exclusivo do site, publicado em Novembro de 2025
No prefácio de O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde oferece um quase-poema sobre a arte, no qual escreve: “não existe tal coisa como um livro moral ou imoral. Os livros são bem escritos, ou mal escritos. É tudo.” A primeira parte requer algum contexto, já que se refere às “críticas” que o escritor enfrentava na altura – “pela sua defesa de indulgências homoeróticas e hedonistas”. Mas é a segunda parte, a questão dos bons ou maus livros, que me interessa discutir.
Nos últimos anos, deu-se uma reforma do mundo da leitura. Esta arte, que antes parecia encontrar-se em perigo de extinção, tornou-se extremamente popular, graças, sobretudo, ao BookTok. Esta palavra esquisita refere-se à comunidade nicho da rede social TikTok dedicada à criação e partilha de conteúdo sobre livros. Aqui, muitos criadores recomendam leituras, existindo já alguns volumes conhecidos como “clássicos do BookTok”. Foi assim que muitos novos leitores, na sua maioria jovens, se sentiram incentivados a pegar nos seus primeiros livros.
Esta comunidade rege-se maioritariamente por um mantra quase intocável: não há livros bons ou maus, apenas gostos pessoais. Isto é inclusivo, sem dúvida, um lembrete gentil de que todos se devem sentir bem-vindos neste mundo de mundos de palavras. No entanto, esta opinião só é encontrada quando há uma tentativa de criticar os livros recomendados entre este grupo de leitores, tendo-se tornado um escudo retórico que silencia críticas legítimas e desencoraja as pessoas a pensar mais profundamente sobre a própria arte que dizem apreciar. Na prática, este mantra apenas cria uma hive mentality difícil de quebrar.
A verdade é que o BookTok é frequentado, na sua maioria, por mulheres, e os genres mais procurados são os romances (no sentido de “romance romântico”, e não romance como categoria literária) e as fantasias. Também é verdade que estes dois géneros são dos menos respeitados pela sociedade, precisamente por serem associados ao público feminino. O principal olhar azedo sobre estes vem de um lugar de preconceito e não é sequer surpresa que as pessoas tendam a criticá-los e a minimizá-los (visto ser algo que ocorre constantemente em espaços femininos). Este é, e sempre foi, um dos piores aspetos da comunidade literária e a maior evidência de que o elitismo literário existe, ainda que não da forma como é acusado.
Ainda assim, nem todas as críticas aos livros que percorrem o BookTok são motivadas pelo sexismo. Pessoalmente, não sou fã de “romances”, mas sinto uma grande apreciação por fantasia, quando é bem escrita. As minhas críticas a estes livros mais recentes estão relacionadas com a tendência editorial que está a ser definida: enredos formulaicos, marketing agressivamente baseado em tropes (tipos específicos de dinâmicas, em especial em relação a casais, como “enemies to lovers”), e livros que se assemelham mais a produtos do que a atos de expressão artística.
A ideia de que nenhum livro é melhor ou pior do que outro soa democrática, mas colapsa sob a mínima pressão. Sejamos, então, antidemocracia: Eleanor Catton, num ensaio de 2024 (Eleanor Catton on Literature and Elitism), argumenta que esta resistência à crítica nasce de uma atitude consumista perante a arte – esperamos que os livros nos agradem, nos lisonjeiem, nos reflitam. E reagimos com indignação quando exigem algo de nós – esforço, atenção, paciência, reflexão. Sob esta lógica, a “excelência” de um livro torna-se sinónima da sua capacidade de satisfazer desejos imediatos do leitor. Isto já não é um argumento sobre literatura. É um argumento sobre serviço ao cliente.
Se todos os juízos se reduzem a preferências, então nenhum livro pode falhar – nem estruturalmente, nem tematicamente, nem tecnicamente. E, no entanto, é claro que os livros falham. Alguns tentam a complexidade mas colapsam na incoerência. Alguns procuram profundidade emocional mas caem no melodrama. Alguns aspiram à ambiguidade moral mas entregam clichés. E muitos favoritos do BookTok, especialmente no genre de romantasy (romances em ambientes fantásticos) prometem narrações épicas, mundos vastos e tropes subversivos, mas entregam enredos apressados e prosa minimalista moldada sobretudo por ciclos de mercado.
“Assim, afirmo: Um livro que falha nos seus próprios objetivos é, por definição, um mau livro”

Assim, afirmo: Um livro que falha nos seus próprios objetivos é, por definição, um mau livro. Foi Wilde que o disse, “os livros são bem escritos, ou mal escritos. É tudo.” Se um livro não atinge aquilo a que se propôs, se não passa a mensagem ou os sentimentos que o autor perspetivou, então falha pelas suas próprias regras. Se o autor nem sequer lhe colocou regras, escrevendo sem objetivo apaixonado, mas sim por oportunidade ou dinheiro, falha até em ter qualquer propósito no espaço avaliado.
Definido o lado do mal, então, o que torna um livro bom? Há muitas respostas, não sendo possível fazer uma lista de pontinhos. A técnica importa, claro – sintaxe, ritmo, metáfora, paralelismo, jogo retórico, ambição estrutural. No entanto, como em todas as artes, estas “regras” podem ser quebradas, depois de bem conhecidas. Saramago contraria as regras da escrita da prosa, e os seus livros resultam por isso.
Outro elemento é a pesquisa, o trabalho de casa que vem com escrever um livro. Sendo-me mais fácil explicar com um exemplo concreto, viajemos de volta às terras da fantasia. Os livros desta categoria contêm universos, culturas e espécies diferentes da realidade, mas muitas vezes inspirados pelos diversos povos, mitologias ou histórias no mundo. Harry Potter, de J.K. Rowling, ou Chama de Ferro, de Rebecca Yarros, são duas sagas recentes que me são constantemente promovidas como “lindamente escritas” ou “riquíssimas em imaginação”, mas que se baseiam em representações superficiais, imprecisas, estereotipadas e ofensivas das realidades que as “fundamentam”. Esta falta de cuidado ético resultou em personagens asiáticos com nomes como “Cho Chang” ou “Parvati Patil” numa história com a influência que Harry Potter teve. Isto não é uma mera questão de sensibilidade contemporânea, é uma falha que empobrece o texto ao reduzir culturas complexas a caricaturas. Mais recentemente, a autora de Quarta Asa deu uma entrevista na qual pronuncia erroneamente palavras da cultura gaélica escocesa, na qual se baseou em peso para escrever o livro. De facto, neste, somos presenteados com um mapa do mundo em muito semelhante ao da Grã-Bretanha, e a história segue uma intriga política que pinta uma raça com estereótipos irlandeses como “malvada e suja”, que tenta invadir o que equivalem aos ingleses. Um mínimo de pesquisa teria indicado à autora que, historicamente, foi precisamente o contrário: a Irlanda é que foi ocupada, explorada, e abusada pela Inglaterra durante séculos.
Posso aceitar muitos argumentos sobre a necessidade ou não de vírgulas, mas é-me impossível aceitar o claro “não querer saber” que estes autores às vezes apresentam. A fantasia moderna começou com J.R.R. Tolkien, um homem que dedicou 30 anos à criação do seu mundo e à pesquisa das suas influências nórdicas, que se importava tanto que chegou a criticar C.S. Lewis, seu amigo e autor de As Crónicas de Nárnia, por “misturar as coisas” e tirar referências de várias mitologias diferentes (clássicas, nórdicas, irlandesas, arturianas). Este exemplo dado nunca devia ser esquecido: os autores têm responsabilidades culturais. Os leitores merecem bons livros, mas nunca à custa da dignidade de um povo. Criticar investigação rasa faz parte do ecossistema crítico que incentiva autores futuros a fazer melhor. Reconhecer isto não envergonha quem os apreciou, sendo simplesmente respeitar a literatura o suficiente para a examinar honestamente.
É aqui que, para mim, a conversa descola. As pessoas muitas vezes assumem que chamar um livro de “mau” é envergonhar quem gostou dele. Mas prazer e mérito artístico não são mutuamente exclusivos, nem automaticamente relacionados.
Um apreciador do cinema pode reconhecer There Will Be Blood ou Come And See como obras-primas técnicas (e a muitos outros níveis) e, ainda assim, admitir que nunca as quererá rever. Da mesma forma, milhares adoram The Room ou as prequelas de Star Wars apesar (ou por causa) das suas falhas imensas. Estas obras falham por muitos critérios – estrutura, personagens, interpretação, coerência, escrita – mas sucederam em deliciar o público. E isso também importa.
Da mesma forma, um livro pode, por todos os critérios, ser mal escrito e, ainda assim, profundamente prazeroso. Tal como um livro pode ser magistralmente elaborado e, infelizmente, emocionalmente inerte para um leitor específico. Fundir estas categorias, quando deve haver espaço para ambas, empobrece-as.
Sempre que alguém levanta questões sobre edição, estrutura ou técnica, a resposta tende a ser rápida e hostil: “elitismo”, “snobismo”, “gatekeeping à leitura”. Aparentemente, reparar que um livro está mal editado é agora classista. Preferir um texto que desafia o leitor é condescendente. E distinguir qualidade artística de prazer pessoal, como eu fiz agora -, algo estabelecido há muito tempo em todas as outras artes – é tratado como um ato de agressão.
Mas a verdade é muito menos dramática. A minha vida de leitora é mais plena quando me permito ocupar o espaço entre o erudito e o popular, entre o intelectualmente ambicioso e o confortavelmente escapista. A partir daí, parece-me evidente que nem todos os livros são iguais em mérito artístico, ambição ou execução. Alguns dos que leio são excecionais: belamente estruturados, linguisticamente ricos, filosoficamente provocadores. Outros limitam-se a entreter-me, absorver-me, transportar-me. Ambas as categorias importam. Não sou, como já referi, particularmente fã de livros de “romance”. Mas gosto de livros de cowboys e de detetives, e é praticamente a mesma coisa. Todos estes têm o seu espaço na literatura e na minha estante pessoal. No entanto, o BookTok transformou este tipo restrito de leitura numa expectativa cultural. Muitos leitores limitam-se orgulhosamente e não procuram diversidade. Quando comecei a ler, também eu passei pelos John Greens e distopias da vida, no entanto, explorei para além da minha zona de conforto, levando-me a conhecer e a apreciar outros géneros. Contudo, isto não me impede de às vezes voltar a estes volumes nostálgicos. O problema não é que existam livros de “baixa qualidade”. O problema é a pressão para fingir que não existem.
Esta defensividade extrema, na minha opinião, revela um problema chato: esta comunidade, que se prima em recomendar e apresentar críticas de livros, rejeita as métricas clássicas de avaliação, substituindo-as por “vibes” e a sua capacidade de identificação com os personagens. A ausência de pensamento crítico seria inofensiva se a cultura se limitasse a trocar recomendações, mas o BookTok pretende avaliar livros enquanto ativamente resiste a todas as ferramentas necessárias para o fazer.
Quando afirmo que alguns livros são mal editados ou fracos estruturalmente, não estou a reivindicar superioridade sobre quem os aprecia. Estou a avaliar a obra, não o leitor. A literatura é um campo complexo: um texto é mais do que palavras numa página – é também o momento histórico que o produziu, o contexto do autor, as tradições com que dialoga e a história cultural que reflete ou desafia. Tentativas antigas de estudar literatura através de métodos científicos falharam precisamente porque a literatura é demasiado vaga para ser reduzida a dados quantificáveis. Drácula, de Bram Stroker, por exemplo, não é apenas a história de um vampiro, é um artefacto vitoriano moldado por ansiedades sobre sexualidade, imigração, tecnologia, império e os limites entre ciência e superstição. Nesta obra, as cortinas não são só azuis. Dizer que uma obra dessas tem mais camadas, mais potencial interpretativo e maior significado histórico do que um romantasy de consumo rápido não é elitismo. É apenas reconhecer a realidade. Aqui, a crítica não é um ato de exclusão, é um ato de atenção.
Ainda assim, qualquer tipo de leitura é melhor do que nenhuma. As pessoas lerem é melhor do que revirarem os olhos a um amigo que queira visitar uma livraria. Seria muito hipócrita se tentasse argumentar o contrário. É aceitável quando alguém explora e não gosta daquilo que encontra. Mas são muitos aqueles que começaram a ler graças ao BookTok e que recusam a aventura, porque estão mergulhados numa comunidade onde a distância analítica é desencorajada e o pensamento crítico é quase suspeito. A frase “não é assim tão sério” é preocupante, tendo surgido uma espécie de mentalidade de colmeia digital, onde os leitores “adoram” autores com tal intensidade que perturba o discernimento e faz da crítica uma espécie de traição.
A literatura tem muitas funções, e o escapismo é uma delas, especialmente numa era em que tantos leitores se sentem sobrecarregados pela vida real. Ler para não pensar é algo que existe e funciona. Shakespeare não vai acalmar a ansiedade moderna; um romance suave ou uma fantasia familiar talvez sim. Isso não torna um “melhor” do que o outro para todos os propósitos, apenas significa que operam em ecossistemas literários diferentes. Problemas surgem apenas quando os leitores insistem que a sua função preferida é a única que importa.
“Se a história literária ensina algo é que a literatura é plural”
Se a história literária ensina algo é que a literatura é plural. O texto didático medieval, o épico renascentista, o lírico romântico, a experiência modernista, o romance pós-colonial – todos surgiram de necessidades diferentes. Alguns procuravam ensinar, outros entreter, outros “brincar” com a consciência, a identidade ou o tempo. Reduzir tudo a “bom versus mau gosto” é apagar a riqueza da evolução literária.
O que é necessidade numa era, torna-se ornamento noutra. Um século valoriza a lição moral, outro a profundidade psicológica, outro a inovação formal. Hoje, o escapismo não é frivolidade, mas sim um mecanismo de defesa contra a instabilidade do mundo moderno. Um romance de fantasia, que ajude alguém a lidar com o stress, desempenha uma função literária válida, mesmo que tenha prosa simples ou enredo previsível.
No seu melhor, a literatura expande-nos. Kendall LaVaque, ensaísta e cronista, escreve em The Importance of Reading Classic Literature: Why These Books Stand the Test of Time que os clássicos perduram porque oferecem compreensões mais profundas da experiência humana. Desafiam-nos intelectualmente, expandem o vocabulário, refinam a escrita, ensinam história e cultura. É esta a sua função nos espaços literários. Nada disto é incompatível com o conceito de ler por prazer, mas entra em conflito com uma cultura de leitura que valoriza apenas o que é imediatamente gratificante.
Entre argumentos de feminismo e escapismo, a hostilidade à crítica no BookTok não tem realmente relação com a literatura. Tem sim a ver com identidade e insegurança. À medida que o romance ganhou protagonismo no nicho do TikTok, o objetivo deixou de ser vender uma história e passou a vender um lifestyle. Quando a literatura é reduzida a artimanhas de escrita como “enemies to lovers”, “fake dating” ou “proximidade forçada”, a comercialização acelera. A conversa literária encolheu ao tamanho de uma tag do Goodreads. Uma cultura que proíbe a avaliação negativa não pode produzir uma discussão significativa. Não pode crescer. Não pode distinguir o que é só prazeroso do que é artisticamente relevante. Quando um crítico aponta falhas na escrita ou no enredo, isso não soa a análise, mas a um ataque à comunidade. E, então, a crítica é reformulada como “elitismo”, mesmo quando é apenas observação.
Ainda neste ambiente, há um outro tópico a discutir, já que a maioria destes novos “romances” incluem conteúdo não apropriado a menores de idade. Muitos destes livros, que apresentam dinâmicas prejudiciais ou abusivas como desejáveis, retratando posse ou coerção como paixão, são incluídos pelas livrarias na categoria de Young Adult (livros para adolescentes que abordam temas adultos). Ler é um ato vulnerável e impressionável. Quando a forma dominante da literatura popular para jovens leitores equipara amor a toxicidade e técnica a conteúdo explícito, perdemos algo essencial. Mas, como as editoras sabem que estas narrativas vendem, amplificam-nas. Surge um ciclo no qual violência romantizada é apresentada como empoderamento e celebrada por adultos. Estes empurram os jovens leitores para fora dos seus próprios espaços da literatura Young Adult por incentivarem o BookTok a dominar o mercado.
As consequências, para mim, já são demasiado visíveis. O enorme poder comercial do BookTok começou a moldar a indústria de formas nem sempre positivas. O romance e o romantasy estão a ser achatados num único molde, cada novo título, uma cópia ligeiramente mais desfocada do anterior. As editoras agora promovem livros quase inteiramente com base numa lista de tropes e na quantidade de conteúdo “spicy”, apresentando a literatura como um menu de fast food repetitivo, em vez de um ato criativo. Quanto mais estes livros têm sucesso, mais agressivamente a indústria os imita e espreme, levando a uma diminuição constante na qualidade das novas publicações nesses géneros.
Um dos aspetos mais preocupantes da filosofia do “não há maus livros” é a sua proximidade com a retórica consumista. Ser leitor torna-se uma performance estética, cheia de livros com sprayed edges. Mas a literatura sempre foi mais do que um produto. É uma conversa através do tempo, culturas, línguas e experiências. Envolver-se criticamente é participar nessa conversa. Pedir melhor escrita é imaginar um futuro mais rico para o meio. Apontar falhas – estruturais, éticas ou culturais – é levar a literatura a sério. Uma cultura de leitura sem crítica não é gentil. É superficial.
Insistir que todos os livros são iguais não eleva os leitores, despersonaliza-os. Sugere que somos incapazes de lidar com nuances, incapazes de apreciar um livro reconhecendo as suas falhas, incapazes de querer mais das histórias que consumimos. Nesta questão de “igualdade”, quem fica a ganhar é o capitalismo, os agentes, as grandes editoras. Os escritores veem-se forçados a escolher entre a arte e o sucesso, a simplificar os seus livros, ou ficar mesmo sem conseguir publicar.
A verdade é muito mais generosa. Os leitores são capazes de complexidade. Podemos amar livros que são maus. Podemos respeitar livros de que não gostamos. Podemos procurar conforto num dia e desafio no seguinte. Podemos guardar várias verdades ao mesmo tempo: alguns livros são bons, alguns são agradáveis, e muitos são ambos.
Uma cultura literária saudável depende da nossa disposição para nomear estas diferenças. Não para envergonhar leitores, mas para enriquecer a conversa e criar compreensão. Os livros não precisam de ser obras-primas para terem valor. Mas fingir que obras-primas e entretenimento produzido em massa são a mesma coisa não protege ninguém, apenas empobrece a nossa imagem coletiva.
A literatura é vasta. As nossas conversas sobre ela também deviam ser.
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