Conduzida por José Guilherme Sousa
Também incluída no FEPIANO 7, publicado em Março de 2014
O Prof. Paulo Mota tem uma linha no seu CV que o dita como campeão nacional de ginástica. Em que condições é que este feito se deu?
Eu fui praticante de alto rendimento de Ginástica Artística Masculina, tendo integrado a Seleção Nacional e participado em Taças e Campeonatos da Europa. Fui Campeão Nacional em todos os escalões, inclusive duas vezes em séniores.
Como conseguiu conciliar os esforços do treino e da competição com um curso relativamente exigente?
Durante a minha carreira, treinava 3 horas por dia, 6 dias por semana. Isto não deixa praticamente tempo livre e requer, de facto, um grande esforço para manter o nível na escola e na Faculdade. Mas, com alguma disciplina e capacidade de sacrifício, é perfeitamente possível conciliar.
Quais os benefícios que a competição no desporto, individual ou colectivo, traz à formação de um jovem?
Para além de mim, tenho três colegas da ginástica que se licenciaram em Economia pela nossa faculdade, o que mostra que o desporto, entendido numa determinada perspectiva, até pode ajudar, nomeadamente ao nível da capacidade de sacrifício, concentração, organização do tempo, etc. O desporto é um óptimo meio para alcançar a excelência (quanto mais não seja a nível pessoal) e isso traz vantagens, também, noutros domínios.
O professor relativiza, muitas vezes, a importância das soft skills e das atividades extra-curriculares. A ginástica era, para si, um sonho como “ser jogador de futebol”, ou sempre a colocou como simples atividade extra-curricular?
Sempre dei prioridade aos estudos, mas uma atividade que ocupa cerca de 18 horas por semana, não contando com as competições, é um coisa já bastante séria. A obtenção da excelência através do desporto não é, necessariamente, aquilo que se entende por soft skills. Nisso acredito, e não tem nada de “soft”; fica bem marcado no caráter, na personalidade e na capacidade. Tentei fazer o melhor, eu sou muito competitivo, mas nunca tive um sonho do tipo ir aos Jogos Olímpicos (o que em ginástica é difícil) ou ter aí uma medalha (o que em ginástica, é equivalente a alguém da FEP ter o prémio Nobel da Economia!). Não há dúvida de que as soft skills são importantes, mas o conhecimento é muito mais importante e muito mais difícil de obter – portanto, a tónica deve ser colocada aí. Veja-se, por exemplo, a recente crise dos mercados financeiros; para evitar a ocorrência de uma crise do género, precisamos de mais conhecimento sobre como os mercados funcionam. A ênfase deve ser sempre colocada no conhecimento.
A propósito, como vê o equilíbrio hard skills e soft skills no contexto FEP? Ou seja, considera que os alunos acabam o curso com um equilíbrio entre essas duas variáveis?
Acho que existe um certo equilíbrio a esse nível na FEP, e não há dúvida de que existem, na nossa faculdade, várias organizações de estudantes que permitem desenvolver as capacidades que, normalmente, associamos às soft skills. Isso é, sem dúvida, muito positivo e facilita a entrada no mercado de trabalho. As atividades extracurriculares são importantes, mas, de um modo cumulativo, e não podem ser usadas para justificar ou branquear uma média baixa, o que habitualmente sinaliza falta de esforço, capacidade e conhecimento.








