Opinião de Mariana Loureiro
Também incluído no FEPIANO 59, publicado em Setembro de 2025
Para mim, estudar na FEP tem sido uma das melhores experiências da minha vida. E não foi por ter sido um mar de rosas.
Estudar na FEP é uma experiência diferente para cada um. Para alguns, a integração foi fácil, a adaptação ao ambiente académico e à faculdade foi simples e a FEP começou a fazê-los sentir-se em casa muito rapidamente. Para mim não foi bem assim.
Sempre senti que estudar na FEP era um grande privilégio, o ensino de qualidade e exigente de uma das melhores faculdades de economia da Europa representava uma oportunidade enorme, que promete recompensas satisfatórias, mas também um tremendo desafio.
Como estudante deslocada, o choque de sair de casa pela primeira vez e passar a viver numa cidade praticamente desconhecida foi uma experiência particularmente abaladora. No início, foi muito difícil começar a fazer amigos. Estava presa num mindset de autossabotagem, que me fazia sentir que não pertencia ali, como uma intrusa, e tinha muita dificuldade em identificar-me com as pessoas que ia conhecendo. Foi um período mesmo complicado, e que afetou a maior parte do meu 1º semestre de faculdade.
Porém, nada dura para sempre. O 2º semestre começou e com ele uma nova tentativa de pôr na minha cabeça que era capaz de mudar esta situação. E aos poucos tudo começou a melhorar. Quero mesmo reforçar que, às vezes, tudo o que é preciso é uma mudança de perspetiva. Comecei a apreciar as flores que nasciam nos jardins da FEP, lentamente passei a soltar-me mais, a reencontrar pessoas que tinha conhecido no semestre passado e a conhecer algumas novas. Ao mesmo tempo, a FINK, a organização que tinha escolhido, e que me tinha escolhido, começou também a ajudar imenso neste processo de integração. Sou muito grata à Catarina Ribeiro, a presidente da FINK na altura, por me convencer sempre a ir aos jantares, atividades de integração e a sair mais da minha “bolha”. No meu caso, foi mesmo fundamental para me começar a sentir uma parte integrante do ambiente académico. E é claro que os amigos que fiz pelo caminho ajudaram imenso neste processo!
“o que é preciso é uma mudança de perspetiva”
Agora, estudar na FEP é ouvir as pandeiretas das tunas quando abro a janela do meu quarto. Ainda é um pouco de nervosismo quando vou experimentar algo novo. Mas também é a coragem de tentar na mesma porque “só sou caloira uma vez”.
Estudar na FEP é saber que há sempre algo a acontecer. É participar nas dezenas de atividades que as organizações tanto se esforçam por nos apresentar e que nos dão competências tão importantes (e claro, aqueles pontinhos no PRO-SKILLS!).
Estudar na FEP é ouvir histórias sobre as noites de estudo na faculdade e os encontros com os seguranças. É discutir o preço do ice tea e ver quem negoceia o shot mais barato na amada Queima das Fitas. É sentir a emoção da Serenata e do Cortejo. É, também, aquele pânicozinho que se vai infiltrando ao longo dos Passos Perdidos na temida época de exames, em que até os mais faladores se juntam para estudar em silêncio e vemos acontecer aqueles carinhosos momentos de entreajuda (e muito café).
Estudar na FEP é descobrir-me a mim mesma e passar por uma marcante transformação pessoal.
E é tentar todos os dias, sabendo que vai valer a pena.

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