A palavra “sustentabilidade” tem sido amplamente utilizada ao longo dos últimos anos. Surge nos programas políticos ou nas estratégias de comunicação das empresas há poucos anos e tornou-se numa espécie de selo de legitimidade moral de qualquer instituição. Contudo, poderá uma palavra tão poderosa, se usada em demasia, perder o seu peso ou até desviar-se do seu próprio significado? 

Na sua génese, a sustentabilidade traduz um equilíbrio exigente entre desenvolvimento económico, justiça social e proteção ambiental, sendo um conceito cada vez mais relevante no contexto da atualidade. Implica repensar processos de produção, hábitos de consumo e prioridades políticas no curto prazo, de forma a garantir bem-estar a longo prazo. Práticas sustentáveis pressupõem educação, mudança estrutural e compromisso de todos. Não se trata de um adjetivo decorativo, mas de um princípio orientador capaz de redefinir sistemas inteiros com consciência ambiental e cívica.

O problema não é a palavra, mas sim o uso vulgarizado da mesma. Tudo o que se banaliza tende a ser, inevitavelmente, desvalorizado. Se tudo é apelidado de “sustentável”, então, provavelmente, nada verdadeiramente o é.A repetição contínua do termo “sustentabilidade” desgasta o seu significado complexo, reduzindo a sua força simbólica e transformando um compromisso ético em algo automático. Assim, aquilo que se assumia primordialmente como responsabilidade coletiva começa a ser meramente um slogan ou um cartão de visita. No discurso contemporâneo, o conceito é frequentemente reduzido a estratégias de marketing ou a simbolismo superficial. O fenómeno do greenwashing é um exemplo desta dissociação: as instituições contam a sua história recorrendo a uma linguagem sustentável para reforçar a sua imagem junto dos agentes, mesmo quando, muitas vezes, as práticas permanecem inalteradas. 

“A repetição contínua do termo “sustentabilidade” desgasta o seu significado complexo”

Perante isto, torna-se extremamente relevante fomentar o espírito crítico face ao uso desta palavra. Os cidadãos em geral, operando em contexto empresarial, governativo ou institucional, devem questionar práticas, exigir saber mais e não se conformar com a banalização da expressão “ser sustentável”. Só através deste estado de alerta será possível atribuir o significado completo que a palavra merece e impedir que esta se esvazie em promessas sem compromisso de cumprimento.

Desta forma, o desafio da atualidade talvez não seja criar novas palavras, mas recordar e garantir a manutenção do impacto das que já existem. A sustentabilidade recupera sentido quando se traduz em atitudes coerentes e escolhas ponderadas. A palavra “sustentabilidade” não se mede pela frequência com que é dita, mas pelos efeitos que produz no mundo.