Opinião de Isabel Valério
Artigo exclusivo do site, publicado em Julho de 2026
Qual é o maior ser vivo que existe? Não é, por estranho que pareça, um mamífero. Alguns fungos são verdadeiros titãs da natureza, cujo micélio atravessa quilómetros subterrâneos das florestas. Enquanto à superfície, apenas vemos cogumelos.
Vamos invocar o Steve fictício, um rapaz que trabalha na Polícia Irlandesa no século XIX, durante a Grande Fome. Apesar de receber pouco tinha sempre a farda engomada e um sorriso estampado no rosto. Caminhava com orgulho e seriedade para investigar as cenas do crime, perseguiu os ladrões e os assassinos da cidade. Certo dia um grande tumulto popular fez a terra esfarelar-se e levantar dos sapatos de todos os civis que se revoltaram da fome. As batatas estavam a nascer podres, mas não tinham sido animais selvagens, nem tempestades. O mistério assolava a cidade e os camponeses, com os nós dos dedos calejados e arranhados pelo trabalho, sentiam aflição pelo dinheiro que haviam perdido. O polícia Steve estava a transpirar sob o sol sufocante da tarde de quinta-feira, quando recebeu uma carta agrafada dos laboratórios. Uma praga de fungos. O conflito desarmou-o, pois, este só havia aprendido a usar a força perante ameaças. O ego do Steve encolheu-se não como uma esponja molhada de lavar a loiça, mas como uma garrafa de plástico barulhenta a esvaziar-se. Demitiu-se e dedicou-se a estudar fungos.
A Grande Fome da Irlanda foi devastadora pois as batatas constituíam a base das suas alimentações, servindo também de alimento para os animais. Este evento histórico foi trágico sendo que, segundo o jornal o Público, matou cerca de dois milhões de pessoas. Durante algum tempo classificaram o agente responsável pela destruição das colheitas de tubérculos como um fungo, mas agora classifica-se o como pertencente aos oomicetas, o que determinou uma maior proximidade das algas do que aos fungos.
Numa classificação clássica dos seres vivos, as bactérias pertenciam ao Reino Monera, enquanto os outros reinos eram intuitivos: Animalia, Plantae e Fungi. Quanto ao resto, em caso de dúvida, a minha imprudente técnica é: pôr o que sobra em Protista.
Os fungos dispersam-se e colonizam grandes áreas através de esporos transportados pelo vento. O pão e o vinho, dois dos alimentos mais antigos da História da humanidade, existem graças às leveduras. Até a película baça que muitas vezes cobre a casca das uvas contém leveduras. Quando o oxigénio escasseia, as leveduras deixam de recorrer à respiração celular. A glicose é degradada através da glicólise até formar piruvato, que depois liberta dióxido de carbono antes de formar etanol.
Se deixarmos cair uma caneta repetidamente, tudo o resto constante, ela demorará o mesmo tempo a atingir o chão em todas as tentativas e é assim que o tempo funciona. Enquanto na física a gravidade repete o mesmo resultado, um fungo pode fazer crescer a massa do pão ou cobri-lo com bolor.
Em 1928, Alexander Fleming descobriu a penicilina, substância produzida por fungos que impede o crescimento de bactérias. Antes desta, uma infeção podia transformar um pequeno corte numa sentença de morte. Hoje, porém, as bactérias estão a evoluir e a adquirir resistência aos antibióticos sendo este um tópico de discussão vivo atualmente na medicina e preocupante.
Francisco
17 de Julho
Um artigo mesmo muito interessante!