Opinião de Maria Carvalho
Também incluído no FEPIANO 58, publicado em Julho de 2025
Atualmente, as pessoas parecem estar cansadas de ouvir falar sobre política. Os casos mediáticos parecem estar a esgotar a população. Ao mesmo tempo, as medidas apresentadas podem parecer mascaradas por linguagem cara e complexa, o que se torna um impedimento para o pleno entendimento do impacto que um determinado partido pretende ter.
A política pode ser definida como a ciência ou arte de governar. Quer a arte quer a ciência, para serem valorizadas de forma holística, têm de ser compreendidas pela vasta maioria da população. A política, sendo uma conjugação destas duas áreas, deve ser apresentada numa linguagem que todos possam entender para que as suas decisões de voto sejam baseadas nas medidas que cada partido apresenta e não em mera exposição mediática. Assim, é necessário adaptar a linguagem e proporcionar oportunidades para aprender sobre estado social, educação, economia e saúde, áreas estas que se assumem como peças-chave de qualquer programa partidário.
Cabe ao Estado, no âmbito da promoção do exercício pleno da cidadania, assumir um papel de educador através da dinamização e incentivo de projetos formativos para todas as faixas etárias. Estes projetos devem facilitar a aproximação de cada pessoa às questões da cidadania e incentivar uma participação mais ativa e comprometida para com a transformação do país. Algumas ideias passam por não apenas integrar nos currículos escolares conteúdos relacionados com literacia política, mas efetivamente lecioná-los de modo a que aqueles que irão votar mais tarde tenham todas as ferramentas necessárias para tomarem uma decisão informada e para que, ao mesmo tempo, fiquem sensibilizados para o ato do voto.
Formar professores para que tenham conhecimento para dotarem os alunos desse conhecimento, deve ser também uma prioridade. O apoio a projetos comunitários que fomentem uma cidadania ativa como assembleias juvenis, formações à população geral e o desenvolvimento de campanhas públicas de informação política, neutras e acessíveis, não apenas em períodos eleitorais, são exemplos de medidas que as autarquias podem aplicar junto das suas populações.
Enquanto cidadãos, não podemos continuar a criticar a sociedade quando na realidade somos partes integrantes da mesma. A indiferença não pode ser a escolha. Portanto, contribuir para a mudança é também função do cidadão comum e essa transformação começa com conversas sobre política, não se conformar e ir votar nos momentos eleitorais sejam as eleições autárquicas, europeias, legislativas ou presidenciais.
Investir em literacia política é garantir que cada indivíduo tem as ferramentas necessárias para compreender, questionar e intervir na atualidade e no futuro. Mais do que formar eleitores, trata-se de criar cidadãos conscientes que queiram contribuir ativamente para a construção do bem comum.

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