Opinião de Margarida Santos
Também incluído no FEPIANO 66, publicado em Abril de 2026
Todos os dias, tratamos os nossos direitos e liberdades como algo já adquirido, mas lutamos por eles diariamente. Ir para a escola, trabalhar e até expressar a nossa opinião fazem parte desta luta…
Mas e se esses direitos fundamentais desaparecessem e tivéssemos de voltar a lutar por eles? Seríamos capazes de recuperá-los a todos?
Mas e se esses direitos fundamentais desaparecessem e tivéssemos de voltar a lutar por eles?
Imagina acordar um dia e não poderes ir estudar na faculdade, não por opção, mas sim por outros fatores como o teu género, por não ter capacidades monetárias ou influência suficiente. De repente, não teríamos possibilidades de desenvolver o nosso pensamento crítico, a nossa autonomia e a nossa própria compreensão do mundo que nos rodeia.
Não poderíamos falar com as pessoas a nosso redor sobre temas como política, economia, religião e muitos outros. Não poderíamos discordar publicamente nem protestar medidas ou leis que punham em causa o bem-estar e o funcionamento natural da população. As nossas vidas tornar-se-iam silenciosas, uma vez que os debates e simples conversas transformar-se-iam em ausências de diálogo, ou simplesmente em censura ou uniformidade do pensamento.
De igual modo, se estivéssemos a trabalhar e não conseguíssemos ganhar o suficiente, para sair da casa dos nossos pais ou para conseguirmos nos sustentar e comprar coisas simples que precisamos no nosso quotidiano. Contudo, também não poderíamos exigir muito aos nossos empregadores, pois seríamos repreendidos e mal tratados, e só poderíamos ouvir sem falar nada, porque perante a lei teríamos tratamento diferente e seriam beneficiadas as pessoas e os grupos que tivessem mais influência ou importância na política existente.
Para além disso, voltaríamos a não poder sair de casa devido a inúmeros fatores, mas principalmente por proibição por parte do Estado que naquele momento estava implementado. Se quiséssemos ir à praia ou à biblioteca, seríamos impedidos ou teríamos de pedir autorização para nos deslocarmos a locais que frequentamos diariamente, o que na nossa cabeça não faz sentido nenhum.
Já alguma vez pensaste em viver num planeta em que as informações que lês ou que são transmitidas fossem manipuladas, apenas com o objetivo de manter a conformidade com as ideias e princípios que o Estado impõe? Sem saber se era a realidade ou se estava completa, sem faltar informações que fariam toda diferença na nossa vida.
Por mais que imaginemos como seria um mundo sem esses direitos e liberdades, nunca vamos saber se conseguiríamos recuperá-los ou se até reconheceríamos o momento em que os começamos a perder. O que importa é termos consciência e reconhecimento que eles existem e como impactam de maneira positiva a nossa vida!
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