Opinião de Natan Melo
Também incluído no FEPIANO 63, publicado em Janeiro de 2026
Hoje em dia, é impossível negar a potência da Internet e o seu papel na comunicação e partilha de informações entre as pessoas do mundo inteiro. Os memes e trends têm-se tornado cada vez mais virais. Diferentemente dos meios de comunicação tradicionais, a internet permite que qualquer pessoa consiga produzir e partilhar o seu próprio conteúdo online de modo que milhões de outras pessoas tenham acesso (como é o caso do TikTok, Instagram, X e YouTube).
Os memes são um dos principais exemplos deste fenómeno. Estes consistem em imagens com textos modificados (ou até mesmo sem texto algum) que proporcionam humor através de opiniões e de entretenimento rápido. Muitas vezes, os memes podem ser baseados em acontecimentos regionais e direcionados para um público específico. Contudo, já houve casos onde a “bolha” foi furada, espalhando-se por todo o mundo, mesmo que o restante do público não compreenda totalmente o seu significado original. Este foi o caso dos brainrots italianos , ou então, o mais recente (que já não é tão recente) “6, 7”.
Mas então, se estes conteúdos não foram especificamente criados para nós, por que os conhecemos? Mesmo que nem todo o mundo seja fluente em italiano ou use o Sistema Imperial de medida, nada impede a proliferação destas mídias. Isto ocorre porque os memes não dependem apenas da sua linguagem verbal ou de conhecimentos prévios. Por vezes, elementos visuais, expressões faciais, músicas e edições de vídeo já são o suficiente para a compreensão do conteúdo. Na verdade, há casos em que este nem sequer é compreendido. Porém, devido a alguma característica que o torne engraçado, o mesmo já é partilhado e revisitado por milhões de usuários. Afinal, como já expliquei no começo, o objetivo de um meme é gerar humor e criar dopamina rápida e fácil para os nossos cérebros, sendo assim facilmente divulgáveis. Já parou para reparar em como a quantidade de visualizações e curtidas em vídeos de comédia são quase sempre muito superiores à de conteúdos de informação e notícias?
Os algoritmos das redes sociais impulsionam este processo. Eles identificam conteúdos que tenham um elevado número de visualizações, curtidas, comentários e partilhas e passam a recomendá-los a mais usuários, que, por sua vez, potencializam o efeito de divulgação cada vez mais. Desta forma, um meme pode alcançar uma audiência internacional sem precisar de tradução ou adaptação cultural.
Assim, notamos o quão “pequeno” o nosso planeta se tornou. Hoje, um acontecimento do outro lado do globo chega até nós em instantes. Claro que podemos continuar a rir dos nossos “memes diários” na Internet (com um certo limite), mas temos que também aproveitar a globalização para aprendermos mais sobre culturas e modos de vida diferentes dos nossos.
“Uma ferramenta não atinge ninguém, mas quem a brande sim.”

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