Opinião de Maria Gomes
Também incluído no FEPIANO 47, publicado em Maio de 2022
Com o olhar atento aos sucessivos acontecimentos da Guerra na Ucrânia, noticiou-se uma tentativa das tropas russas de ocuparem Chernobyl. Vários investigadores afirmaram que os níveis de radiação aumentaram, causando uma onda de desconforto para aqueles que se encontram a par daquilo que aconteceu há 36 anos.
Chernobyl é uma cidade ucraniana que, infelizmente, nos remete para o dia 26 de abril de 1986, quando aconteceu a explosão do reator 4, na Central Nuclear dessa mesma cidade. O desastre deu-se enquanto se realizava um teste de segurança que simulava uma falta de energia, obrigando a que os sistemas, como os de regulação de energia, se encontrassem desligados. São apontadas várias causas para o problema, entre elas, a inexperiência de quem se encontrava no sistema operativo e a existência de falhas do próprio projeto. O químico Valery Legasov foi quem esteve encarregue da investigação deste desastre.
O que é certo, é que ainda hoje, Chernobyl é uma cidade fantasma com níveis de radiação elevados e com repercussões nas vidas de imensos indivíduos. Após o acidente, o número de casos, na cidade e nas zonas envolventes, relacionados, principalmente, com o cancro verificou um aumento substancial, salientando-se o cancro da tiroide em crianças. Ainda hoje, existe a “zona de exclusão”, uma área desabitada dada a elevada radiação. Estima-se que durante os próximos 20 mil anos continue a não ser habitada.
Este foi o acidente nuclear mais fatal até aos dias de hoje, e mesmo assim, continuam a existir inúmeras usinas nucleares operacionais. Será assim tão vantajosa a energia nuclear para compensar tamanhos riscos?
Por um lado, são notórias algumas vantagens, a independência em relação aos fatores climáticos, como o vento; a utilização de um combustível de baixo custo (comparado com o petróleo), acrescentado ao facto de que com uma reduzida quantidade é possível abranger um grande perímetro.
Porém, esta fonte de energia é a predileta para fins bélicos. Além disso, a poluição radioativa é provocada pelas radiações emitidas pelos resíduos nucleares perigosos. De sublinhar, ainda, que esta é uma energia não renovável. Por fim, salienta-se o facto de serem poucos os acidentes/desastres que aconteceram, porém, quando, infelizmente, acontecem são mortais e acarretam imensas sequelas ao longo dos anos.
Ressalvando como apenas uma suposição, mas o facto de a Ucrânia ter algumas fontes de energia nuclear poderá ser um fator de interesse para a Rússia. O próprio ato das tropas russas terem invadido território com uma radiação superior, colocando-os a uma maior exposição, demonstra que estão prontos para correr riscos para obter o que pretendem.
Em conclusão, a energia nuclear ainda é um tema bastante sensível e controverso. Dado o desastre acima descrito, existe muito receio com este tipo de energia. A meu ver, esta energia é muito melindrosa, até mesmo perigosa. Devem potenciar-se os recursos dos países, porém, neste caso, com muita cautela, e apenas se realmente necessária, a história diz-nos que a energia nuclear não afeta apenas o ser humano, como toda a vida da Terra.

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