Mafalda André - Departamento Pedagógico da HeForShe FEP
Também incluído no FEPIANO 65, publicado em Março de 2026
A luta pelos direitos sociais não é nenhuma novidade e, num mundo de tanta disrupção, mantém-se um assunto tão atual como no século XIX. No entanto, numa era de globalização mais forte do que nunca e com a informação a chegar tão facilmente a todo o lado, temas como a diversidade e inclusão tornam-se cada vez mais imperativos, exigindo uma atuação constante por parte tanto da sociedade como das empresas e dos governos.
Apesar de se tratar de uma qualidade fundamental da essência humana, a diversidade é considerada por muitos como algo negativo. Esta hesitação deriva da falta de diversidade nos vários núcleos sociais, o que leva à construção de uma estrutura assente num modelo de ideias confinadas, incapaz de se relacionar com o que está fora da “bolha” formada. Isso torna as pessoas resistentes, e até mesmo agressivas, perante a diversidade, passando a encará-la como uma ameaça simplesmente por ser diferente daquilo que são e conhecem.
“Apostar na diversidade e inclusão não é caridade, mas sim reconhecer o valor de todo o potencial humano”
A verdade é que, se nos rodeamos apenas de pessoas idênticas a nós, com as mesmas perspetivas e gostos, nunca nos iremos desenvolver e expandir. Assim sendo, mantemo-nos sempre no mesmo registo e limitamos o nosso potencial enquanto indivíduos. Da mesma forma, conhecer diferentes realidades é fundamental para acabarmos com o preconceito e adiscriminação que muitas vezes surgem inconscientemente.
Implementar diversidade e inclusão não se trata apenas de representar todas as raças, idades, géneros e grupos étnicos em proporção à área circundante; envolve também a promoção da diversidade cognitiva. Diferenças nos processos de pensamento são essenciais para evitar a tendência do pensamento de grupo, no qual se prioriza a harmonia e o consenso em detrimento da análise crítica de alternativas, o que sufoca a criatividade e resulta em ideias obsoletas. Quando colaboradores de diferentes origens e com modos de raciocínio distintos trabalham juntos, inevitavelmente estimulam as mentes uns dos outros, algo que dificilmente acontece entre indivíduos com ideias idênticas.
Num mundo onde a mudança atingiu um ritmo fugaz, a capacidade de inovar e de se adaptar é indispensável. A um nível empresarial, a aposta na diversidade e inclusão é, sem dúvida, uma mais-valia, já que diversas forças de trabalho fornecem o acesso a uma gama mais ampla de habilidades, o que contribui para um aumento de inovação e produtividade, ampliando as perspetivas de mercado.
No entanto, uma gestão eficaz da diversidade exige que as organizações também promovam uma cultura de inclusão, onde as vozes sejam ouvidas e valorizadas. Para tal, as abordagens tradicionais à diversidade, equidade e inclusão não são suficientes. Torna-se necessário ir para além de cumprir regras e regulamentos. Trata-se de integrar a diversidade no núcleo dos nossos sistemas, de garantir que as pessoas têm oportunidades reais de contribuir e de beneficiar dos sistemas económicos em que operam.
A diversidade, por si só, não é suficiente! Para que realmente prospere, deve ser acompanhada de responsabilidade: a responsabilidade de sermos ponderados, respeitosos e humanos. Um ambiente inclusivo não é automático. É construído intencionalmente, através das escolhas que fazemos cada dia.

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