Opinião de Maciel Sacramento
Também incluído no FEPIANO 58, publicado em Junho de 2025
Política. Certamente que quando lê ou ouve esta palavra, o cérebro associa rapidamente a partidos. Mas é muito mais do que isso. O que influencia verdadeiramente a política e de que formas podemos fazer a diferença?
Obviamente que um regime semipresidencialista com tendências parlamentares, como acontece em Portugal, fomenta esta conexão, especialmente num país em que nas últimas eleições legislativas concorreram vinte e três (23!) partidos – se desdobrarmos as coligações – e dez (10!) alcançaram pelo menos um assento no parlamento. Certamente que, em países como o Brasil ou Estados Unidos, a palavra política já é associada mais rapidamente à figura do Presidente do que aos partidos que os apoiaram. Ou seja, tudo depende do contexto, o que prova desde logo que, na realidade, os partidos são apenas uma pequena parte do que é política.
Mas então, o que é política? Política é poder. Poder nas suas variadas formas: económico, judicial, social, militar… No primeiro episódio da segunda temporada da emblemática série Game of Thrones, há um momento que até hoje nunca esqueci, em que Petyr Baelish diz, num momento de tensão, a Cersei Lannister: “Knowledge is power”. Muito rapidamente, ela ordena que o prendam e lhe cortem a garganta, até que, no último momento, manda parar e responde de forma fria e pragmática: “Power is power”. Esta analogia transpõe-se perfeitamente para o mundo real, no sentido em que a capacidade de dar ordens e ser obedecido é a forma real de poder.
“a eleição de Donald Trump tem mais impacto na vida dos portugueses do que a eleição de Luís Montenegro”
Repare que a eleição de Donald Trump, do outro lado do Atlântico, tem mais impacto na vida dos portugueses do que a eleição de Luís Montenegro ou qualquer outro para primeiro-ministro, porque, no dia em que Trump acordar e decidir brincar novamente às tarifas, não existirá capacidade de resposta do executivo, quer fosse um governo social-democrata, liberal ou comunista. Podemos também pensar nos casos de Elon Musk, que sozinho possui uma fortuna superior à produção total da Dinamarca, ou das Big Tech – Alphabet, Amazon, Apple, Meta, e Microsoft – que controlam por completo as nossas vidas e têm uma capacidade estratosférica para influenciar o quer que seja.
Ainda assim, acredito que existe um grande poder da política, especialmente daquela política de proximidade, em que ajudamos o próximo e a nossa comunidade, sem nos preocuparmos com algo em troca e sem pensarmos em ganhos partidários ou em cores de ideologias. Nós próprios temos poder para influenciar e mudar o mundo à nossa volta e para isso não é preciso, muitas vezes, enormes gestos. Voluntariado, organização de eventos na nossa freguesia, participação em eventos académicos e associativos, interesse pela política local, quer na participação nas assembleias ou na candidatura a órgãos públicos de forma independente, são apenas alguns exemplos.
Aqui reforço também o papel fulcral de certas fundações, como a Fundação Calouste Gulbenkian – que orgulhosamente sou bolseiro – e que, com o seu poder e altruísmo, conseguem proporcionar uma melhor vida a milhares de jovens e influenciar diretamente o desenvolvimento de áreas desde a Saúde à Educação, da Ciência às Artes. Tudo isto também é Política.
Uma maior participação política e cívica de cada um, faz, no final, uma grande diferença. Seja, sempre que possível, preocupado pelo mundo que o rodeia. Não fique nunca à espera de ninguém; lembre-se que a vida é feita de fases: ou fazes ou não fazes.

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