Segundo os dicionários da Porto Editora, a cultura pode ser definida como “o conjunto de costumes, de instituições e de obras que constituem a herança de uma comunidade ou grupo de comunidades”.

É natural que, ao ler esta definição, seja fácil perceber a relação íntima que se estabelece entre a cultura de uma sociedade e as suas características e legado. Porém, penso que é importante explorar este tema para poder apreciar ainda mais a cultura que nos rodeia e aquilo que esta nos pode oferecer.

Sempre que analisamos a história de uma civilização é impossível ignorar elementos como a literatura, a arquitetura, a pintura, a moda, a religião, entre outros. Para além disso, todos os marcos históricos que reconhecemos não passam de eventos ou períodos que levaram à alteração e evolução das sociedades e das suas culturas, moldando-as ao longo do tempo. Estaríamos a omitir conhecimentos fundamentais e indispensáveis se, por exemplo, quando falássemos da história de Portugal não nos referíssemos a obras como “Os Lusíadas”, o “Livro do Desassossego” ou “O Auto da Barca do Inferno”, não pensássemos em monumentos como o Mosteiro da Batalha, o Castelo de Almeida, o Convento de Mafra ou o Palácio Nacional da Pena, nem examinássemos a influência da religião Católica no desenrolar de toda a nossa história.

Por outro lado, as mudanças na cultura de um povo também podem provocar eventos históricos marcantes, como a Revolução Francesa. Entre outros fatores, como a demarcada desigualdade social e económica, este acontecimento histórico foi impulsionado pelo surgimento de ideias associadas ao Iluminismo, que defendia a liberdade, o progresso, a tolerância, a fraternidade, o governo constitucional e a separação formal entre Igreja e Estado em oposição à monarquia absoluta e ao poder das entidades religiosas.

Por todos estes motivos, é possível inferir que a forma como agimos e interagimos com outras pessoas é, então, fruto desta relação de interdependência entre a cultura das sociedades e a sua história.

Assim sendo, a cultura representa a alma da sociedade. Quando ouvimos música, quando entramos num edifício qualquer, quando admiramos uma parede embelezada por arte urbana, quando decidimos ir comer sushi ou até quando vestimos umas simples calças de ganga, estamos rodeados de cultura, quer nos apercebamos disso ou não.

“a cultura representa a alma da sociedade”

Concluindo, a cultura envolve-nos a todos, a cada dia, em todos os momentos. Por todas as razões já enumeradas, é necessário explorá-la, conhecê-la e salientar o seu valor, especialmente porque sem ela não seríamos capazes de compreender o nosso passado e, principalmente, os problemas que nos são apresentados na atualidade.