Opinião de Maria Carvalho
Também incluído no FEPIANO 57, publicado em Maio de 2025
A realidade da entrada de migrantes no nosso país transforma a sociedade, exigindo adaptação e abertura à diversidade cultural. Nas escolas, este processo de integração torna-se essencial para construir uma convivência mais inclusiva.
Atualmente, Portugal tem sido o destino escolhido por migrantes para recomeçarem as suas vidas. Esta chegada de pessoas transforma a sociedade portuguesa, contribuindo para o crescimento económico do país e para a diversidade cultural. Esta diferença de etnias leva a que a integração de imigrantes seja imperativa, não sendo este um processo unilateral: os imigrantes, por um lado, passam por uma complexa adaptação, por outro, os portugueses devem adaptar-se e estarem abertos à mudança. É crucial que este processo bilateral aconteça nas escolas, espaço essencial no processo educacional de qualquer ser humano, independentemente da nacionalidade.
A entrada de crianças de outras regiões do mundo nas escolas portuguesas exige uma adaptação dos métodos educativos de modo a promover a integração destas com os jovens portugueses. O desenvolvimento de novos modos de ensinar traduz-se em diversas vantagens para os estudantes nacionais, como a promoção do respeito pelos pares e da empatia. A existência de diálogo entre diferentes culturas ajuda a despertar nas crianças valores essenciais para uma boa convivência em sociedade, nomeadamente o respeito pela diferença e a rejeição de comportamentos preconceituosos e discriminatórios. Ao ouvir e valorizar outras perspetivas culturais, assim como a própria cultura, os alunos tornam-se mais empáticos e conscientes das realidades dos colegas.
“O desenvolvimento de novos modos de ensinar traduz-se em diversas vantagens para os estudantes nacionais“
Ao mesmo tempo, a exposição à interculturalidade permite integrar conhecimentos, histórias, línguas, artes e práticas de várias culturas no processo educacional, tornando a aprendizagem mais rica, significativa e adequada à realidade. Isso permite que os estudantes tenham uma compreensão mais holística das múltiplas perspetivas sobre um mesmo fenómeno social e desenvolvam espírito crítico. A médio e longo prazo, o desenvolvimento de competências, como solidariedade e equidade, promove uma sociedade mais democrática e capaz de lidar com a diversidade de forma construtiva.
A adaptação, quer dos portugueses quer dos imigrantes, não deve ser sinónimo do conceito de assimilação — abandonar a própria cultura para adotar a maior parte dos princípios da cultura dominante. Uma sociedade verdadeiramente inclusiva é aquela que reconhece, valoriza e promove a diversidade cultural enquanto riqueza coletiva.

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