Sofia Pontes
Também incluído no FEPIANO 42, publicado em Fevereiro de 2021
French New Wave ou Nouvelle Vague marcou a história do cinema como um dos períodos mais influentes e inovadores. Afetou a arte de filmar nas gerações seguintes e, ainda hoje, inspira realizadores como Martin Scorsese e Quentin Tarantino.
O movimento surge no fim dos anos 50 como resposta dos críticos da sétima arte. Jean-Luc Godard, François Truffaunt e Éric Rohmer expressavam na revista Cahiers du Cinema o seu desagrado relativamente ao facto de os filmes da época não retratarem com profundidade a natureza humana e a forma como as pessoas estavam a viver verdadeiramente. Uma vez que, segundo eles, o objetivo primordial estava a ser o entretenimento.
Outro aspeto alvo de críticas era a perda de controlo criativo por parte do realizador como consequência dos acordos com as grandes empresas de produção cinematográfica. Partindo desta corrente de pensamento surge a Auteur Theory – a ideia de o realizador ser visto como uma enorme força criativa tal como o autor do filme que consegue desenvolver uma identidade artística e ser identificado em tudo o que faz, algo muito comum atualmente.
Os críticos decidem então passar das palavras à ação e avançar com os seus próprios filmes independentes, aprendendo e interiorizando todas as técnicas utilizadas na época em Hollywood mas descartando-as completamente. O objetivo era poderem expressar-se livremente, sem a intercessão dos big studios, mas isto também significava que não iam ter acesso a tantos recursos ou a um avantajado orçamento.
No entanto, as características distintivas deste período advêm em grande parte dessa própria escassez financeira que levou a que fossem obrigados, por exemplo, a utilizar pequenas e leves câmeras operadas manualmente, luz natural e locais de filmagem reais (location shooting) em vez de estúdios fictícios. Estas particularidades permitiram libertar os filmes do tripé atribuindo-lhes uma natureza mais dinâmica e espontânea que permitiu capturar a essência das ruas parisienses e espelhar a própria temática que era característica do movimento.
Ao contrário dos filmes do antigo Hollywood, onde os enredos eram muito existenciais e o diálogo por vezes era improvisado, o objetivo deixou de ser o entretenimento e passou a ser a discussão sobre temas como a absurdez da existência humana onde o espectador é convidado também a refletir usando a sua própria experiência (filme como pura expressão de ideias).
Também ao nível da própria edição as técnicas americanas foram descartadas: a filmagem longa e contínua que deixava o espectador submerso no filme deu lugar à edição fragmentada, os chamados jump cuts, que serviam para transmitir um avanço no tempo e que acabaram por se tornar uma técnica fundamental na indústria.
A exploração deste movimento cinematográfico é uma cativante experiência não só para abrir horizontes e assistir a filmes atípicos, como para refletir sobre as questões levantadas pelas personagens enquanto somos presenteados com fantásticos cenários parisienses.
| Sugestões de filmes: |
| The 400 Blows (1959) |
| Cléo from 5 to 7 (1962) |
| Vivre Sa Vie (1962) |
| My night at Maud’s (1969) |
| Breathless (1970) |
| Jules and Jim (1962) |
| Le petit soldat (1963) |
| Bande à part (1964) |
| Contempt (1963) |
| Hiroshima Mon Amour (1959) |
| Lola (1961) |
| Claire’s Knee (1970) |

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