Natan MeloOpinião de
Também incluído no Online exclusive, publicado em September 2026
Em 2008, a Marvel começou o seu grande projeto cinematográfico e passou a produzir dezenas de filmes e séries interligadas num universo compartilhado, o tão conhecido MCU (Marvel Cinematic Universe). A cada filme novo que era lançado, uma parte de uma grande história era contada, até resultar no lançamento do filme dos Vingadores em 2012. Isto trouxe a Marvel de volta para o topo e, foi então que, ao ver isto, a sua maior rival, a DC, decidiu desenvolver o seu próprio universo compartilhado com os seus heróis, o DCEU (DC Extended Universe). Assim, em 2013, o primeiro filme deste novo universo estreou nos cinemas, o Homem de Aço.
No princípio, o DCEU trouxe esperança aos fãs de bandas desenhadas e heróis no geral. Era um universo que prometia retratar os super-heróis de um modo mais sério e realista, opondo-se totalmente à sua oponente Marvel, que aludia ao fantasioso e cómico. Mas, essa esperança do público nem teve tempo de florescer que já foi logo cortada pela raiz.
Enquanto a Marvel já estava nos cinemas há quase uma década, tinha um universo bem estruturado e uma legião de fãs conquistados, a DC tinha apenas projetos e planos de projetos. Foi assim que, de forma imprudente e apressada, uma rajada de filmes questionáveis e feitos às pressas foram produzidos com a intenção de “acelerar” este novo universo, já que a DC tinha a intenção de bater de frente com os grandes lançamentos da Marvel. Dessa forma, o segundo filme do DCEU, Batman vs Superman, contou com a introdução de vários personagens, o qual acabou por resultar num lançamento prematuro do filme da Liga da Justiça em 2017, o qual foi um fracasso tanto em bilheteria, quanto em recepção.
Após muitos fracassos de bilheteria e críticas, a Warner Bros entendeu que era preciso reestruturar o universo da DC e, por isso, escolheu uma pessoa para liderar o seu universo cinematográfico, um diretor que já havia trabalhado com eles anteriormente e que já havia produzido grandes sucessos ao MCU, James Gunn. Logo, no começo de 2023, foi anunciado o primeiro grande capítulo deste novo universo, o DCU (DC Universe).
Na época, a notícia foi recebida com muitas expectativas positivas e houve grandes promessas, mas, enquanto James Gunn terminava os seus preparativos, as salas de cinema não poderiam ficar vazias e, foi aí, em 2023, que tivemos um dos piores anos possíveis para qualquer fã da DC. Vejam bem, como o DCEU já tinha investido muito dinheiro em outros filmes que estavam em produção, a Warner precisou acelerar o lançamento destas obras para evitar perder ainda mais dinheiro, o que resultou em um ano com não 1, não 2 e nem 3, mas com 4 lançamentos de filmes nos cinemas (Shazam! Fúria dos Deuses, The Flash, Besouro Azul e Aquaman 2: O Reino Perdido). Esta sequência de filmes foi desastrosa, não gerou quase nada de receitas e apenas serviu para afastar ainda mais a audiência. Foi a partir deste cenário que o DCU começou.
Existe até hoje muita confusão sobre DCEU, DCU, o que é cada um, o que faz parte do cânone atualmente e enfim. Mas, basicamente, o DCEU morreu e tudo o que lançou de 2024 em diante faz parte do DCU (ou pelo menos era para ser assim).
O primeiro projeto do DCU não foi um filme, mas sim uma série animada, Creature Commandos. Logo de começo, esta decisão já não agradou o público, mas, como se não bastasse, o segundo lançamento foi nada mais do que a segunda temporada de Peacemaker, a série do antigo DCEU. Ambas as produções tiveram recepções mistas e geraram ainda mais dúvidas sobre este universo, mas foi em 2025 que isso mudou, quando Superman estreou. O filme, dessa vez sim, contou com muitas críticas positivas, apesar de financeiramente ter sido abaixo do esperado, realizando apenas 600 milhões de dólares, o que reacendeu um pouco a chama da esperança que, novamente, não durou quase nada.
Agora, em 2026, Supergirl foi lançado e, “surpreendentemente”, não agradou praticamente ninguém. O filme conta com uma nota de 5.8 no IMDB e não chegou a ter nem 150 milhões de dólares de receita, causando um enorme prejuízo para a empresa. Depois desse tiro no pé, o DCU ainda promete boas obras, como a série Lanterns que está sendo lançada agora, ou o filme Clayface, mas a notícia de um “Superman 2” para o ano que vem e séries como a do Jimmy Olsen com o Gorila Grood (sim, isso foi confirmado) deixam o público desacreditado de que ainda possa haver alguma forma de reverter esse cenário negativo no qual a DC se encontra, deixando a posição de James Gunn e do seu DCU em perigo.
No fim, a verdade é só uma: a DC falhou. Infelizmente, esta é a realidade e agora abro o meu coração e falo, não como um mero escritor, mas como um grande fã da DC e do seu universo… acabou. Desde o começo, a simples ideia de que, com a produção de vários filmes em massa poderiam superar a Marvel, era disfuncional. Não havia coesão, direção ou estratégia envolvidos suficientemente nestes projetos para que funcionasse. Depois, quando o universo sofreu finalmente um reboot, devia ter-se trabalhado melhor com as ferramentas que se tinham disponíveis.
“No fim, a verdade é só uma: a DC falhou”
Enfim, o DCU ainda nem chegou a completar 3 anos de vida e já está muito próximo de terminar, e irá acabar se mudanças estruturais não forem feitas.
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