Quarenta e dois anos, três trilogias e diversas gerações de espectadores entretidos depois, a saga Guerra das Estrelas chegou, pelo menos para já, à sua conclusão em “A Ascensão de Skywalker”.

A “Ópera Espacial” concluiu num filme que, apesar do seu ritmo frenético e de cair nos clichés habituais de filmes de aventura, dá uma conclusão satisfatória num bonito filme sobre amizade, como enfrentar os nossos maiores medos e a eterna luta entre o bem e o mal. Focado no clã Skywalker, fulcral no desenrolar de toda a saga, acaba surpreendentemente por ser a personagem Rey a ter um dos desafios mais interessantes do enredo em aceitar ou não o destino pré-traçado pela história da sua linhagem, finalmente revelada por completo. 

Apesar de, no seu global, esta trilogia, iniciada em 2015 com “O Despertar da Força”, não acrescentar muitos novos conceitos ao mythos de Star Wars, não deixa de ser muito bem executada, principalmente quando comparada às prequelas do início do século, com performances que provavelmente definirão as carreiras de Daisy Ridley, John Boyega e Adam Driver. O problema mais óbvio destes três filmes é a mudança de foco em “Os Últimos Jedi” derivada do facto de ser realizado por Rian Johnson, enquanto os restantes filmes o foram por J.J. Abrams.

Com impressionantes sequências de ação e as sempre presentes épicas batalhas espaciais, o episódio IX foge também um pouco da mais habitual entrega cómica de falas para um estilo mais melancólico. As ligações das personagens às suas famílias e passados estão em destaque, mas com maior peso emocional na forma como as relações das personagens são afetadas pelos acontecimentos da história. Aproveitando a fala de Rose no episódio anterior, é possível resumir como motto da história “Não iremos ganhar ao lutar o que odiamos, mas salvando o que amamos”.

No entanto, este final poderá não ser permanente. A expansão do universo para além dos filmes não é nada de novo, mesmo antes da aquisição da Disney dos direitos, pois já eram inúmeras as aventuras contadas em meios como banda-desenhada ou videojogos.

Não há muito tempo, estava já prevista uma possível continuação da saga, às mãos dos responsáveis por trazer o imaginário de “A Guerra dos Tronos” à televisão, entretanto cancelada. Também já existem dois spin-offs assim como a série “The Mandalorian” e uma futura sobre a personagem de Obi-Wan Kenobi, trunfos do novo serviço de streaming da Disney.

Sintomas claros do mais recente problema de Hollywood, a sua dependência em franchises já testadas em mercado. Sejam as infindáveis sequelas previstas do universo Marvel ou de Avatar, ambas debaixo do chapéu da Disney, ou de reboots como Star Trek ou os live-actions de filmes clássicos da própria Disney.

Atualmente, é difícil ir a um cinema e não ter em exibição uma continuação ou re-imaginação de uma história que já tivemos oportunidade de ver antes. A sua rentabilidade “garantida” acaba por ser um argumento muito forte para que grandes estúdios não apostem em novas histórias, conceitos, universos e personagens. No entanto, podem pôr em causa o amor já desenvolvido por legiões de fãs em obras que não necessitam de tais adereços.

Apesar de satisfeito com a Saga Skywalker, tenho um mau pressentimento quanto à possibilidade de o Império Disney voltar a disparar do canhão Star Wars para um cash-grab fácil, até um dia não ser possível sentir-me apaixonado por este épico e apenas sentir um grande desdém, ou pior, indiferença.