Na FEP, todos sabemos que estudar é exigente. As aulas, os trabalhos, os testes, a pressão para boas notas e para construir um futuro sólido podem ser fontes de motivação, mas também de ansiedade e desgaste. A verdade é que a saúde e o bem-estar não são luxos: são condições essenciais para aprendermos, crescermos e aproveitarmos ao máximo a experiência universitária.

Nos últimos anos, vários estudos têm mostrado que os estudantes universitários em Portugal, e em particular os mais novos, enfrentam níveis significativos de stress, ansiedade e, em alguns casos, depressão. As dificuldades são ainda maiores entre quem chega pela primeira vez à universidade. É um período de transição: sair de casa, adaptar-se a novos ritmos, lidar com a gestão do tempo e das finanças, conhecer colegas e professores, ou enfrentar expectativas familiares e pessoais. Tudo isto, somado, pode ser um demasiado.

“As dificuldades são ainda maiores entre quem chega pela primeira vez à universidade”

Mas há também boas notícias. Sabemos, por exemplo, que a esperança e a resiliência – a capacidade de recuperar depois de uma queda – funcionam como fatores protetores. Ou seja, é possível desenvolver recursos internos e externos que nos ajudam a lidar melhor com as dificuldades. A questão é: como podemos, enquanto comunidade académica, criar condições para que todos se sintam apoiados?

O que está em jogo?

Cuidar da saúde e do bem-estar tem impacto direto na vida académica. Problemas não tratados podem levar ao isolamento, à quebra de rendimento, ao abandono do curso e até a situações mais graves, como o consumo de substâncias ou ideias de desistência da vida. Por outro lado, investir na prevenção e na promoção do bem-estar traz benefícios claros: mais motivação, melhores resultados, maior envolvimento com a comunidade e relações mais saudáveis.

A Organização Mundial da Saúde define “boa saúde mental” como um estado em que a pessoa reconhece as suas capacidades, consegue lidar com as tensões normais da vida, trabalha de forma produtiva e contribui para a comunidade. Este ideal não é apenas individual – depende também do contexto em que vivemos. Por isso, a universidade tem um papel central.

“Estas ideias erradas afastam os estudantes do apoio de que necessitam”

O que já existe?

Na Universidade do Porto já existem apoios, como os serviços de psicologia e aconselhamento (PsiCA, SDC, LAP.UP, Psic.On), além dos serviços de saúde do SASUP. Mas muitas vezes os estudantes não sabem onde procurar ajuda, ou hesitam por receio do estigma. Ainda é comum ouvir frases como “isso passa” ou “é fraqueza tua”. Estas ideias erradas afastam os estudantes do apoio de que necessitam.

O que podemos mudar?

Na FEP, o debate sobre saúde e bem-estar está a ganhar espaço. O objetivo é passar de ações dispersas para uma estratégia integrada. Algumas intervenções incluem: eventos de literacia em saúde mental como por exemplo, Outubro – mês da Saúde e Bem-Estar, para aumentar o conhecimento, reduzir o estigma e reforçar a procura de ajuda; projetos para estudantes do 1.º ano como o Programa Transversal de Mentoria Interpares, focados em gerir a transição para a universidade e desenvolver competências pessoais e sociais; iniciativas de ensino, que integrem o tema do bem-estar em disciplinas como em Competências Pessoais e Sociais I e II e atividades extracurriculares (e.g., Pro-Skills); programas de investigação, para compreender melhor as dificuldades dos estudantes e propor soluções adequadas ao nosso contexto.; formação para docentes e funcionários, para que saibam reconhecer sinais de alerta e encaminhar os estudantes.

Em várias universidades do mundo, atividades simples como criar “zonas de bem-estar” no campus, organizar workshops de mindfulness ou dinamizar grupos de apoio entre pares têm mostrado resultados positivos. O essencial é que estas ações não sejam pontuais, mas parte de uma cultura institucional que valoriza a saúde e o equilíbrio.

O papel de cada um de nós

A saúde e o bem-estar não dependem apenas de serviços ou programas formais. Cada estudante, cada professor e cada funcionário pode contribuir. Pequenos gestos fazem diferença: sorrir e saudar, ouvir sem julgar, oferecer ajuda, partilhar informação, criar espaços de convivência e inclusão. A comunidade universitária é um ecossistema, e quando cuidamos uns dos outros, todos beneficiamos.

É também importante aprender a pedir ajuda. Não é sinal de fraqueza – pelo contrário, é um ato de coragem e responsabilidade. Procurar apoio a tempo pode evitar que um problema pequeno cresça e se torne uma barreira séria.

“É também importante aprender a pedir ajuda”

Uma FEP mais saudável

O compromisso da FEP é claro: queremos ser uma escola de excelência não apenas pelo nível académico, mas também pelo ambiente humano que oferecemos. Tal como nos preocupamos em formar gestores e economistas preparados para os desafios do mercado, devemos também formar pessoas equilibradas, capazes de liderar com empatia e de construir uma sociedade mais justa e solidária.

Promover a saúde e o bem-estar é, afinal, preparar o futuro. E esse é um desafio que começa agora, contigo, comigo, connosco.

Uma mensagem final

Cuidar da Saúde e Bem-Estar não é um luxo, é uma necessidade. Não é apenas responsabilidade individual, é uma construção coletiva. Quando falamos de saúde e bem-estar, falamos de criar condições para sermos melhores estudantes, melhores profissionais e melhores pessoas.

Por isso, se és estudante da FEP, lembra-te: não estás sozinho! Partilha, apoia, participa. E exige que a tua escola cuide de ti tanto quanto cuida do seu prestígio académico.

Porque, no fim, a verdadeira excelência mede-se também pelo bem-estar de quem aqui aprende e cresce.