As eleições para o Parlamento Europeu estão ao virar da esquina. No entanto, a abstenção é alta, tendência que tem aumentado ao longo dos anos.

É altura de votar nas eleições para o Parlamento Europeu, que decorrem de 5 em 5 anos. Contudo, esta costuma ser o “parente pobre” das consultas populares. No último sufrágio, em 2014, apenas 42,61% dos eleitores registados nos estados membros exerceram o seu direito. Este valor representou um aumento da abstenção, já que em 2009 a percentagem de eleitores europeus que votou nestas eleições tinha sido de 42,97%. Tem sido, aliás, uma tendência. Desde que decorreram as primeiras eleições para o Parlamento Europeu, em 1979, quando a afluência às urnas foi de 63%, a abstenção aumentou sempre de eleição para eleição. O que poderá justificar a crescente falta de interesse da população nas eleições para o Parlamento Europeu?

A Europa é um continente com muita história, até lhe chamam por vezes “o velho continente”. A sua história é marcada por diversos conflitos, motivados por rivalidades entre os diferentes povos que habitavam e ainda hoje habitam o continente. É possível que estes povos nunca se tenham visto como absolutamente iguais. Os seus costumes não são os mesmos, as suas religiões também não e, o fator mais desagregador de todos, o idioma, é diferente em quase todas as nações europeias. Devido a esses fatores, uma parte significativa dos europeus poderão rejeitar a ideia de não serem tão únicos como outrora.

Talvez seja uma questão de proximidade. De proximidade geográfica, por exemplo. Quererá um europeu do Chipre, da Estónia, ou até mesmo de Portugal, saber do que se passa nos centros de decisão de políticas europeias? Afinal de contas, Bruxelas e Estrasburgo estão longe. Mesmo a comunicação social, que reduz distâncias, não consegue aproximar o grupo dos abstencionistas do interesse na União. Quantos de nós sabemos exatamente todas as leis mais importantes aprovadas pelo Parlamento Europeu? Quantos de nós vemos reportagens ou lemos artigos noticiosos sobre o que fazem os nossos eurodeputados?

Talvez por todas estas razões, nestas semanas que antecedem as eleições europeias, se têm lançado inúmeras campanhas de incentivo ao voto nas mesmas. Se não o fizer, a União Europeia poderá arriscar-se a que um número de europeus significativo se afaste completamente, o que pode provocar novos brexits. E isto é algo que a União não quer e não pode suportar mais uma vez, dado o longo e doloroso processo de saída do Reino Unido. E os populismos também se aproveitam do descontentamento e afastamento das pessoas. Nos anos recentes, partidos populistas de índole nacionalista têm-se afirmado como forças políticas relevantes em vários países da União. Se estes partidos eurocéticos ganharem o poder da União Europeia, ela poderá deixar de existir como a conhecemos. Isso está nas mãos dos europeus, de todos eles.