Um dos temas recorrentes entre os estudantes tem sido a tensão entre a educação e o mercado de trabalho, bem como se os ensinos formal e não formal devem e podem ser combinados.

É genericamente aceite que o papel da educação é fornecer aos estudantes as competências para compreender o trabalho e o seu desenvolvimento futuro, em vez de se focar em necessidades de curto prazo específicas do mercado de trabalho.

O sistema de educação atual foi desenhado durante a era agrária e foi apenas ligeiramente modificado durante os tempos industriais. Foi criado com a intenção de conceder os valores e competências destes tempos aos estudantes.

Apesar dos avanças dos últimos 50 anos, escolas e universidades continuam a ensinar sem o suporte da tecnologia. Mesmo com a abundância de informação a que podemos aceder, os estabelecimentos continuam a incutir disciplina e a restringir o pensamento “fora da caixa”, deixando pouco espaço para métodos de ensino tecnológico e inovação dentro das próprias salas de aula, já que o método de ensino é restrito a linhas definidas, com conteúdos calculados a todas as horas lecionadas e sem abertura a flexibilidade programática.

Se o mundo à nossa volta muda de forma cada vez mais intensa e os sistemas de ensino se mantêm os mesmos, como é que os estudantes vão estar preparados para os trabalhos do futuro – maioritariamente baseados na tecnologia e de carreiras pouco tradicionais? Ignorando as qualidades, forças e interesses individuais dos estudantes, as universidades forçaram alunos a seguir tarefas arbitrárias com a mira em treinar os estudantes para passar em exames. A tecnologia deve ser usada para avançar o modo como os estudantes aprendem e tratam informação, particularmente porque permite uma aprendizagem individual, que leva à satisfação pessoal e a uma maior produtividade.

Contudo, existe um grande entrave à reforma de um sistema de ensino. É necessário haver uma análise crítica ao que os dados acerca dos universitários nos transmitem e para que fim são utilizados. Existe uma necessidade para políticas baseadas nas evidências, mas existe, ao mesmo tempo, o perigo de análise de evidências com base nas políticas tomadas no passado. Ou seja, os dados que somos capazes de produzir hoje para tirar conclusões acerca de qualquer método de ensino universitário estão contaminados com as políticas adotadas nos sistemas de ensino dos níveis inferiores.

Isto requer, por isso, uma reforma do sistema lenta, gradual e a partir da base de forma a melhor preparar as gerações futuras para trabalhos que suprimam as necessidades deste novo, mais dinâmico e instável mercado de trabalho.