Mariana LoureiroOpinião de
Também incluído no FEPIANO 58, publicado em July 2025
A lei da paridade, que procura promover a igualdade entre homens e mulheres nos órgãos políticos, foi aprovada em 2006. Ficou, então, estipulada uma representação mínima de 33% de cada sexo. Entretanto, em 2019, esta percentagem foi aumentada para os 40%.
No entanto, mesmo assim, os resultados das eleições legislativas de 2025 indicam que a composição da próxima Assembleia da República conta com apenas 77 mulheres, ou seja, 34,1% de todos os deputados.
Para além disso, segundo o Pordata, em 2023, a percentagem de mulheres em cargos de administração e em cargos executivos correspondia a 34,9% e 16,9%, respetivamente.
Ora, porque será que a representação feminina em cargos relacionados com poder, como os de liderança, se limita a alcançar estes limiares mínimos? É claro que existem vários fatores, mas queria focar-me num deles.
Rápido! Pense num líder!
Aposto que pensou num homem… Infelizmente, eu também. No entanto, se não foi este o seu caso, dou-lhe os meus parabéns, porque é possível que seja menos influenciado pelo sexismo estrutural enraizado na nossa sociedade, ou seja, por uma crença na superioridade masculina que está entranhada na nossa forma de pensar. Por isso, se não pensou num homem, isso significa que, felizmente, a nossa sociedade está a mudar.
Contudo, apesar dos enormes progressos no caminho para alcançar a igualdade de género, persistem inúmeros preconceitos e estereótipos. Existe uma passagem do filme O Diabo Veste Prada que me faz lembrar imediatamente dos double standards que assombram o caminho das mulheres que se encontram em posições de poder, ou que ambicionam alcançá-las: “Se Miranda fosse um homem, ninguém notaria nada sobre ela, exceto o quão ótima é no trabalho dela”. É certo que Miranda Priestly, editora da revista “Runway”, se comportava de forma tóxica e abusiva para com os seus subordinados, porém, a verdade é que existem muitos líderes do género masculino que se comportam de forma semelhante, ou até pior, e são elogiados, venerados e apontados como grandes exemplos de liderança.
Não me interprete mal, existem muitos homens que são líderes fantásticos, mas é inegável que os padrões para que uma mulher seja considerada sua igual são bastante mais elevados.
Para além disso, existem ainda muitos outros obstáculos, como o facto de as mulheres, na sua maioria, serem responsáveis por uma quantidade de trabalho doméstico não remunerado mais significativa do que os homens. Isso deve-se, mais uma vez, a uma mentalidade que atribui às mulheres a função de cuidadoras e aos homens a de provedores, persistindo ainda a ideia de que, por algum motivo, os homens são líderes mais competentes do que as mulheres.
Ainda assim, gostaria de terminar numa nota positiva e de agradecimento a todos aqueles que lutaram pelo progresso que vemos atualmente, porque, na verdade, há 50 anos a igualdade era apenas um sussurro abafado. Aproveito também para reforçar que a evolução que já vivemos é inestimável e não deve ser tomada como garantida, mas sim como um incentivo para uma luta constante até à verdadeira igualdade.

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