Também incluído no FEPIANO Especial 25 de abril, publicado em Abril de 2024
A revolução de 25 de abril de 1974 representa um dos momentos mais significativos na história de Portugal. Neste dia, encerrou-se o regime autoritário de 48 anos, inaugurando um novo ciclo de democracia e liberdade. Este artigo apresenta uma análise comparativa da evolução económica e social de Portugal desde então.
Durante o Estado Novo, os portugueses não desfrutavam plenamente dos seus direitos e liberdades fundamentais como desfrutam hoje, devido à ausência de eleições livres e ao controlo da censura sobre os meios de comunicação. A oposição ao regime era reprimida e julgada em tribunais próprios. Com o 25 de abril de 1974, foram estabelecidas a democracia e a Constituição de 1976, onde estão representados o direito à liberdade e à segurança, o direito ao trabalho, à segurança social e à proteção, à liberdade sindical e direito à greve, o direito de voto, entre outros. Com a aprovação da revisão constitucional, criaram-se órgãos de soberania, tais como a Assembleia da República, o governo e o Presidente da República.
No contexto da evolução económica, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita a preços constantes duplicou nas últimas cinco décadas, passando de 9483 euros em 1974 para 18 949 euros em 2021. No entanto, a taxa de poupança diminuiu de 26,2% para 9,7% em 2021, apesar da introdução do salário mínimo nacional. A taxa de analfabetismo caiu significativamente de cerca de um quarto da população em 1970 para 3,1% em 2021. Outras mudanças incluem a nacionalização do Banco de Portugal, a criação do Serviço Nacional de Saúde e a adoção do euro, substituindo o escudo.
O mercado de trabalho português também passou por transformações significativas desde a ditadura. Antes de 1974, não existia o direito a férias ou o direito à greve. O número de empregados aumentou de 2.694 milhões para 4.908. O 25 de abril também levou à maior promoção da igualdade de género, dado que a proporção de mulheres no mercado de trabalho aumentou de 11 pontos percentuais para 50%. Em termos de composição do mercado de trabalho, o setor primário, que empregava um terço da população ativa em 1974, agora representa apenas 3%. O setor secundário também diminuiu, de 34% para 25% da força de trabalho. Embora a economia portuguesa tenha convergido com a dos países mais desenvolvidos da Europa após o 25 de abril, o período de maior convergência ocorreu durante a ditadura, entre 1950 e 1973. A segunda fase de convergência ocorreu nas décadas de 80 e 90, com a intervenção do FMI e a adesão à CEE.
No entanto, desde o início do século XXI, Portugal tem divergido dos demais países europeus. A dívida pública tem vindo a aumentar desde o fim do Estado Novo, passando de 17,4% do PIB em 1974 para 113,9% em 2022.
A população portuguesa envelheceu significativamente desde 1974, com 183 idosos para cada 100 jovens, em comparação com 35 idosos por centena naquela época. A confiança dos cidadãos nas instituições democráticas, como o parlamento, tem diminuído nas últimas décadas, refletida por uma alta taxa de abstenção nas eleições legislativas.
Concluindo, a revolução de abril e o processo de instauração da democracia marcaram uma mudança decisiva na história de Portugal. Os acontecimentos deste dia fazem-se hoje sentir na vida e na mentalidade das pessoas, bem como na economia do país.

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